Reinaldo Teixeira: "Não acredito que Pedro Proença tenha interferido nos processos do Benfica"

  • 06/08/2026 02:00
  • Redação

Reinaldo Teixeira não acredita que o atual presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, tenha interferido nos processos relativos ao Benfica, quando ocupava o cargo de presidente da Liga de Clubes

“Não acredito que isso tenha acontecido. Não sei qual o conteúdo da conversa, não sei os detalhes e sinceramente não acredito, tal como eu, que também não o faço. Tenho por princípio a acreditar nas pessoas até prova em contrário. É triste que isso tenha vindo a público, é triste que tenha acontecido, mas, como digo, compete ao próprio dizer o que puder dizer sobre isso”, declara Reinaldo Teixeira.

O atual presidente da Liga Portugal sai em defesa da integridade da Comissão de Instrutores e garante a isenção.

“A Comissão de Instrutores, à data, tal como a de agora, são totalmente imparciais, são isentos, disso não tenho dúvidas; e daqueles que conheço que lá estão agora, não tenho dúvidas que são imparciais”, sublinha.

Reinaldo Teixeira lamenta que, subitamente, Pedro Proença (e os árbitros) tenham convergido atenções, por força dos áudios obtidos de forma ilegal e que só o atual presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) pode esclarecer.

“É um tema que compete neste caso ao presidente Pedro Proença comentar de forma institucional, se entender ou não. Lamento que estas situações aconteçam, mas como compreenderá, a mim compete-me focar na Liga, no futebol profissional e o melhor futebol profissional”, assinala.

Pedro Proença já veio defender publicamente a sua honra, declarando que não aceita que se misture declarações alegadamente produzidas a título pessoal, com os cargos que desempenhou e desempenha no futebol português. Reinaldo Teixeira tem um entendimento diferente e dá como exemplo o arrependimento que assumiu num canal televisivo, depois de já como presidente da Liga ter apoiado publicamente Francisco Carvalho nas eleições do Grupo Desportivo de Chaves.

“Arrependi-me de o ter feito, tanto que inclusive o disse em horário nobre. Reconheci que não devia ter feito, porque enquanto presidente da Liga, no fundo, tenho este cargo institucional e devo respeitá-lo. O cidadão Reinaldo Teixeira tem de não se confundir com os atos do presidente da Liga, mas, no fundo, não se consegue dissociar uma coisa da outra, o que é natural”, assume.

Reinaldo Teixeira ainda espera por explicações oficiais de Pedro Proença, depois do abalo na arbitragem, que se seguiu à demissão de Duarte Gomes, devido a alegadas fugas de informação e influências externas nas nomeações das últimas jornadas da época passada.

“Essa explicação formal acho que é importante, até para que estejamos todos no mesmo barco”, declara o dirigente, complementando que “é importante que falemos com o Conselho, falemos com o Sr. presidente da Federação para que nos diga: 'olha, o que se passou foi isto, as medidas que tomamos foram estas e estamos em conjunto para o bem do desempenho dos seus árbitros'”.

Ora, pelas revelações de Reinaldo Teixeira nesta entrevista, Pedro Proença parece ter um entendimento bem diferente.

“Numa reunião de direção, o Sr. presidente disse que é um tema do Conselho de Arbitragem, que no fundo iria convocar o Sr. presidente do Conselho de Arbitragem, que isso é um tema de gestão do Conselho. Eu entendo que tem de haver aqui uma informação institucional sobre a matéria”, enfatiza.

“A Liga Portugal é o principal cliente da arbitragem e o que nós desejamos e queremos é que haja a maior harmonia, a maior tranquilidade com os árbitros (…), se essas declarações que o Sr. presidente Pedro Proença teve com o universo da arbitragem para eles foram suficientes, para nós suficiente será”, assume.

Reinaldo Teixeira diz ter uma confiança inabalável nos árbitros e dissocia-se das palavras atribuídas a Pedro Proença (mais um áudio) em que este, alegadamente, olhava para o setor e, só via deserto, à exceção do oásis coabitado por três ou quatro árbitros.

“São opiniões do próprio (…). Se for perguntar aos árbitros a minha postura e a minha opinião sobre a classe, não divirjo de hoje para ontem e espero não divergir de hoje para amanhã. A postura tem sido sempre igual e, porque acho que esta é a verdade e é isso que sinto, o digo com esta transparência”, atira.

Apesar de o Conselho de Justiça ter arquivado o processo em que era visado o presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, há dúvidas que continuam por esclarecer. O Ministério Público dirá se há ou não motivos para levar as investigações mais longe. Por agora, Reinaldo Teixeira mantém intacta a confiança no Conselho de Arbitragem da FPF.

“Nesta matéria só me compete reconhecer aquilo que foi a decisão do Conselho de Justiça. Não sou defensor de que se acusem as pessoas sem termos próprios, concretos (…) e estou convencido que o presidente do Conselho de Arbitragem e os seus colegas estão empenhados em dar o melhor serviço à arbitragem para que tenhamos uma época focada no bom desempenho e não no ruído que se criou.”

Esta confiança reiterada no atual Conselho de Arbitragem, não significa que Reinaldo Teixeira não tenha prestado atenção à forma como Duarte Gomes se demitiu do cargo técnico que desempenhava na Federação Portuguesa de Futebol.

“Duarte Gomes foi um bom árbitro, é um bom ser humano, é um bom técnico, terá as suas razões para ter saído e naturalmente não é bom para ninguém”, sublinha.

Os caminhos de Reinaldo Teixeira e de Pedro Proença separaram-se no dia em que, numa viagem do Alentejo para o Algarve, por entre sobreiros e medronheiros, Reinaldo encostou o carro e ligou a Pedro para o informar de que se iria candidatar à presidência da Liga Portugal.

Reinaldo Teixeira garante que não abdica de uma liderança “impositiva”, no sentido, não de dar ordens, mas de “fazer melhor hoje do que ontem, envolvendo as pessoas”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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