Papa pede a jovens que alarguem o coração "além das fronteiras" e "muros dos preconceitos"
- 06/08/2026 06:11
- Redação
Leão XIV disse esta quinta-feira, em Assis, que ser fiel à tradição franciscana de proximidade “significa ir contracorrente e implica trabalhar para a purificação da memória e cultivar a reconciliação”. Em resposta a perguntas de vários jovens europeus, o Papa elogiou a vocação e presença missionária dos franciscanos que inspirou, durante séculos, o diálogo e ajudou à convivência pacífica entre católicos, ortodoxos e muçulmanos.
“Cada vez mais se pedirá aos cristãos para serem construtores de paz no seio de sociedades tentadas a instrumentalizar a religião no confronto entre identidades. Portanto, ser testemunha de Cristo continua algo fascinante e exigente, porque alarga a mente e o coração além de fronteiras artificiais, ou seja, além dos medos induzidos pela má informação e pelos muros dos preconceitos”, frisou o pontífice. Leão XIV avisou, no entanto, que “evitar a cultura do poder e construir a civilização do amor não é algo que se compreenda e aceite de imediato”, mas com a ajuda de São Francisco, é possível aprender “a radicalidade evangélica, que é o oposto do fundamentalismo: não torna cegos nem violentos, mas sensíveis, atentos, sempre no seguimento de Jesus e, por isso, humildes e acolhedores para com todos. Não é fácil, mas dá muita alegria”.
O Papa pediu também aos jovens para testemunharem um “estilo silencioso que fale de paz” que “é o oposto da guerra, com as suas violências, gritos e crueldades”, especialmente “numa época em que a tecnologia nos desabitua de estar juntos, entre pessoas de carne e osso”. E acrescentou: “Se nos reconhecermos irmãos e irmãs, quantas discriminações e desigualdades poderiam acabar num instante!”
Na missa que celebrou, ao final da manhã, na Basílica de Santa Maria degli Angeli, o Santo Padre sublinhou que os cristãos não podem permanecer apenas como espectadores e devem, à luz do Evangelho, interpretar o nosso tempo e a tomar decisões. “Estamos aqui para vencer a resignação e o medo, para dissipar as dúvidas que também nos detêm, tal como detinham os apóstolos. Jesus chama-nos a dialogar com a sua história, para escrever novas páginas de história”.
Nos 800 anos da morte do “poverello”, Leão XIV elogiou o testemunho de São Francisco e Santa Clara e de uma infinidade de irmãos e irmãs que respondem ao mal com o bem. “Não estamos sozinhos!”, frisou. “Hoje a Europa e o mundo inteiro procuram em vós novos santos: ousai acreditar na palavra do Evangelho, tornai-vos humanos com a liberdade de Jesus Cristo, abraçai a irmã pobreza!”
O Papa aproveitou o título deste encontro de jovens - “Go!” (“Ide” em inglês) - para reforçar o valor da missão, “por caminhos para os quais não temos mapas, porque são abertos quando se ouve o coração, obedecendo ao Espírito, seguindo o Ressuscitado onde Ele quis preceder-nos. Go! Ide! Melhor ainda: Vamos! Let’s go! Em direção às margens, onde a injustiça e a prepotência de poucos negam a dignidade e os sonhos de muitos, demasiados, filhos e filhas de Deus”, sublinhou.
Por fim, o Papa missionário esclareceu que “evitar a cultura do poder e derrubar os muros que separam os seres humanos uns dos outros não é, de forma alguma, trair a família, a cidade ou a tradição, mas sim libertá-las dos seus fantasmas, dos inimigos inventados pelo medo e pela ignorância, da violência com que se quer impor o próprio pequeno ordenamento sobre uma realidade que nos ultrapassa por todos os lados”. E acrescentou que confiar em Deus “é reencontrar, tal como Francisco e Clara, um mundo de irmãos e irmãs a valorizar e servir, não a explorar nem a dominar”. Um mundo “não para defender, mas para abraçar, com inúmeros construtores de paz empenhados, ainda hoje, em servir a vida nos mais trágicos cenários de morte”, concluiu.