Eclipse solar em Portugal. Onde ver, como observar em segurança e tudo o que vai acontecer no dia 12 de agosto
- 06/08/2026 10:15
- Redação
O eclipse total do Sol poderá ser observado em Portugal na tarde de 12 de agosto de 2026. O fenómeno começa às 18h33, atinge o máximo às 19h30 e termina às 20h23. Durante cerca de 26 segundos, a Lua ocultará completamente o disco solar numa estreita faixa do nordeste transmontano, proporcionando um espetáculo raro em que o dia se transforma temporariamente em noite. Fora dessa faixa, o eclipse será parcial, mas muito expressivo, com uma ocultação superior a 90% em praticamente todo o território continental.
Trata-se de um momento histórico para Portugal. O último eclipse total do Sol visível a partir do território continental aconteceu em 17 de abril de 1912, pelo que passaram mais de cem anos sem que um fenómeno semelhante pudesse ser observado. Mais impressionante ainda é saber que, depois de 12 de agosto, o próximo eclipse total visível em Portugal só ocorrerá em 2144, daqui a 118 anos. Para a esmagadora maioria dos portugueses, esta será provavelmente a única oportunidade de assistir a um eclipse total durante a vida.
Embora o eclipse seja visível em todo o país, a totalidade apenas acontecerá numa faixa muito estreita do distrito de Bragança, com cerca de uma dezena de quilómetros de largura. Essa faixa atravessa o Parque Natural de Montesinho, abrangendo localidades como Rio de Onor e Guadramil.
Quem estiver dentro desta faixa poderá assistir ao desaparecimento completo do Sol durante cerca de 26 segundos. É precisamente durante esse curto intervalo que se torna possível observar a coroa solar, o halo branco que envolve o Sol e que normalmente permanece invisível devido ao intenso brilho da estrela. Também será possível observar fenómenos como o Anel de Diamante e as Pérolas de Baily, momentos que assinalam o início e o fim da totalidade.
No restante território continental, o obscurecimento variará entre 92% e 99%, consoante a localização, enquanto nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira a ocultação do disco solar rondará os 74% a 77%. Em cidades como Braga, Porto, Vila Real, Viseu, Coimbra, Aveiro, Leiria, Lisboa, Évora ou Faro, a Lua ocultará uma grande parte do Sol, mas nunca totalmente.
Apesar da diferença parecer pequena — por exemplo, entre um eclipse de 99% e um de 100% — a experiência muda completamente. Só durante a totalidade é possível retirar os óculos de proteção durante alguns segundos e observar diretamente a coroa solar.
Os especialistas apontam o Parque Natural de Montesinho como o melhor local para assistir ao eclipse, sobretudo as zonas situadas junto da Estrada Nacional 308, entre Rio de Onor e Guadramil, praticamente sobre a linha central da totalidade. Quanto mais próximo dessa linha estiver o observador, maior será a duração do eclipse total.
É igualmente importante escolher um local com o horizonte oeste totalmente desimpedido, porque o Sol estará relativamente baixo quando ocorrer a fase de totalidade.
As principais iniciativas promovidas no âmbito do Eclipse 2026 foram transferidas para o Aeródromo Municipal de Bragança, depois de as autoridades terem decidido restringir o acesso às zonas florestais do Parque Natural de Montesinho.
A entrada no aeródromo é gratuita e a câmara vai ter transporte reforçado para o local, que também terá capacidade de estacionamento para milhares de viaturas.
Uma das maiores ideias erradas associadas aos eclipses é pensar que, como o Sol parece menos brilhante, deixa de ser perigoso olhar para ele. A realidade é precisamente o contrário.
Durante um eclipse, a diminuição da luminosidade faz com que o olho humano consiga fixar o Sol durante mais tempo, sem sentir o desconforto habitual. No entanto, a radiação ultravioleta, infravermelha e parte da radiação visível continua a atingir a retina com intensidade suficiente para provocar lesões permanentes.
A DGS é clara: a única forma segura de observar diretamente o eclipse é utilizando óculos certificados para eclipse solar, que cumpram a norma internacional ISO 12312-2 e possuam marcação CE.
Os óculos devem ser colocados antes de olhar para o Sol e apenas retirados depois de desviar completamente o olhar. Em nenhum momento se deve alternar entre olhar para o Sol e colocar ou retirar os óculos.
Quem utilizar telescópios, binóculos, máquinas fotográficas ou telemóveis deve garantir que esses equipamentos possuem filtros solares próprios, porque os óculos de eclipse, por si só, não protegem quando se observa através de instrumentos óticos.
Quem não conseguir encontrar óculos gratuitos continua a poder comprar óculos certificados em farmácias, alguns supermercados, lojas de material ótico e plataformas especializadas, por um preço que ronda os três euros. A organização do Eclipse 2026 lembra ainda que alguns Centros Ciência Viva distribuem óculos no âmbito das atividades que promovem para assinalar o eclipse, embora as condições variem de centro para centro e a disponibilidade seja limitada.
Não. Esta é outra das dúvidas mais frequentes. Óculos de sol, mesmo muito escuros ou polarizados, não filtram a radiação solar perigosa. Também não servem radiografias, vidros fumados, películas fotográficas antigas, CDs, negativos ou qualquer outro material improvisado.
Apenas os óculos especificamente produzidos para observação solar, certificados segundo a norma ISO 12312-2, garantem uma proteção eficaz contra a radiação emitida pelo Sol durante o eclipse.
Só se esses equipamentos estiverem equipados com filtros solares específicos. Nunca se deve olhar para o Sol através da câmara de um telemóvel, de uma máquina fotográfica, de binóculos ou de um telescópio sem filtros próprios, porque estes equipamentos concentram ainda mais a radiação solar e aumentam significativamente o risco de lesões oculares.
Sim, mas apenas sob vigilância permanente de um adulto. A DGS recomenda que bebés e crianças pequenas não observem diretamente o eclipse, mesmo usando óculos certificados, porque podem retirar a proteção sem perceber o perigo.
As crianças mais velhas devem ser acompanhadas durante toda a observação e, sempre que possível, é preferível recorrer a transmissões em direto ou à projeção da imagem do Sol.
O principal risco é a retinopatia solar, uma queimadura da retina provocada pela radiação solar. Esta lesão é particularmente perigosa porque não provoca dor. Muitas pessoas apenas começam a notar alterações horas ou dias depois do eclipse. Nos casos mais graves pode existir perda permanente da visão ou mesmo cegueira.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda que qualquer pessoa que, durante ou após o eclipse, apresente visão turva ou distorcida, manchas negras no campo visual, alterações na perceção das cores, diminuição súbita da visão ou dor ocular intensa contacte de imediato o SNS 24 (808 24 24 24) ou procure assistência médica. Estes sintomas podem indicar uma lesão na retina provocada pela observação do Sol sem proteção adequada e exigem uma avaliação rápida, uma vez que os danos podem ser permanentes se não forem atempadamente identificados.
Sim. Além dos riscos para a visão, a DGS refere que algumas pessoas poderão sentir surpresa, ansiedade ou desconforto perante a rápida transformação do ambiente.
Durante um eclipse total é normal verificar-se uma descida da temperatura, diminuição da luminosidade, alteração do vento, maior silêncio, sombras invulgares e mudanças no comportamento de aves e outros animais, que reagem como se estivesse a anoitecer.
Sim. A Direção-Geral da Saúde alerta que o eclipse poderá aumentar o risco de acidentes de trabalho devido à distração dos trabalhadores, às alterações temporárias da visão ou à procura de locais com melhor visibilidade para observar o fenómeno. Existe ainda a possibilidade de interrupções temporárias da atividade laboral e dificuldades no acesso a sistemas e telecomunicações devido ao aumento da utilização das redes móveis.
A DGS considera que devem merecer especial atenção os trabalhadores que exercem funções no exterior, como os da construção civil, agricultura, silvicultura, pesca, recolha de resíduos ou serviços de socorro e emergência. Também identifica como grupos de maior risco os motoristas, os trabalhadores em altura e aqueles que utilizam equipamentos óticos, como binóculos, telescópios ou teodolitos, sem filtros adequados para observação solar.
A DGS recomenda que os empregadores informem antecipadamente os trabalhadores sobre os riscos associados ao eclipse e promovam ações de sensibilização. Sempre que possível, devem reorganizar as tarefas para evitar trabalhos no exterior durante o período do eclipse, suspender atividades que exijam elevada concentração ou acuidade visual e identificar superfícies refletoras que possam aumentar a exposição à radiação solar. Nos casos em que seja indispensável manter trabalhadores em serviço ao ar livre, devem ser disponibilizados óculos certificados, água potável, chapéus com proteção ultravioleta, protetor solar e vestuário adequado, incluindo roupa que proteja do eventual arrefecimento provocado pela diminuição temporária da temperatura.
Sim. A mensagem final da Direção-Geral da Saúde é tranquilizadora: todas as consequências para a saúde associadas ao eclipse são evitáveis se forem cumpridas as recomendações de segurança.
Usar óculos certificados, escolher um bom local de observação, respeitar as indicações das autoridades e resistir à tentação de olhar diretamente para o Sol sem proteção são os passos essenciais para desfrutar daquele que será, para a maioria dos portugueses, o único eclipse total do Sol que poderão observar ao longo da vida.
Terminada a observação, a DGS recomenda uma retoma gradual das atividades profissionais e aconselha empregadores e trabalhadores a estarem atentos ao aparecimento de alterações visuais nas horas ou dias seguintes. Como algumas lesões oculares não são imediatamente percetíveis, qualquer trabalhador que manifeste sintomas deve contactar os serviços de saúde ocupacional ou o SNS 24. A autoridade de saúde sublinha que o eclipse total do Sol é um fenómeno raro que pode ser vivido em segurança, desde que sejam respeitadas as medidas de prevenção recomendadas.