Há duas profissões que reduzem a possibilidade de morrer de Alzheimer. Saiba quais são

Há duas profissões que reduzem a possibilidade de morrer de Alzheimer. Saiba quais são

  • 06/08/2026 10:35
  • Redação

Os motoristas de táxi e de ambulância têm menos probabilidades de morrer de doença de Alzheimer do que os trabalhadores de quase qualquer outra profissão.

Esse foi o resultado surpreendente de um estudo de 2024, citado pela Reuters, que analisou as certidões de óbito de quase nove milhões de pessoas nos EUA.

Dos nove milhões de atestados de óbito, de janeiro de 2020 a dezembro de 2022, que os investigadores analisaram, os motoristas de táxi e de ambulância apresentaram o menor risco de morrer de doença de Alzheimer entre 443 profissões.

Após ajustar os dados em função da idade, sexo, raça, etnia e nível de escolaridade, cerca de 1 em cada 100 motoristas de táxi e de ambulância morreu de Alzheimer, em comparação com 1 em cada 60 pessoas na população em geral.

Este padrão não se estendeu a outras profissões que envolvem condução. Os investigadores concluíram que a chave para reduzir o risco de Alzheimer não era a condução em si, mas sim a navegação contínua em tempo real: o trabalho constante de se localizar no espaço, seguir um destino e atualizar um mapa mental à medida que as condições mudam.

Os condutores cujas profissões dependiam de percursos fixos ou pré-determinados, como os motoristas de autocarro e os pilotos de avião, não pareciam beneficiar de uma vantagem semelhante.

Os investigadores acreditam que a associação entre o trabalho que envolve muita navegação e um menor risco de Alzheimer se centra no hipocampo, uma parte do cérebro que controla a memória e a navegação espacial.

É uma das primeiras regiões cerebrais a ser afetada pela doença de Alzheimer: os problemas com a navegação espacial e a orientação estão entre os primeiros sinais da doença, surgindo por vezes antes da perda de memória evidente.

Num estudo marcante realizado em 2000, neurocientistas compararam os cérebros de motoristas de táxi licenciados de Londres com os de pessoas que não conduziam táxis. As suas conclusões forneceram a primeira evidência, através de imagiologia estrutural, de que regiões do cérebro adulto podem sofrer alterações mensuráveis sob uma exigência de navegação prolongada.

Para obter a licença, os taxistas londrinos têm de memorizar mais de 25 000 ruas num raio de 6 milhas de Charing Cross, um desafio conhecido como «The Knowledge» que demora entre três a quatro anos.

Os investigadores descobriram que os taxistas de Londres apresentavam uma quantidade significativamente maior de matéria cinzenta no hipocampo posterior, uma área do cérebro associada ao armazenamento de mapas espaciais em grande escala. Esse volume estava relacionado com a experiência: quanto mais tempo alguém conduzia, maior era essa parte do cérebro. A alteração resultava da prática, não era inata. Embora as pessoas com facilidade para a orientação espacial possam sentir-se atraídas por este tipo de trabalho, a própria profissão tem, de facto, um impacto no cérebro.

Em conjunto, estes dois estudos apresentam um argumento coerente: o trabalho que exercita intensamente o hipocampo pode remodelá-lo, e essa remodelação pode proteger contra uma das doenças mais temidas do envelhecimento.

  • Fonte: Rádio Renascença
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