Seguro considera inaceitável" que o Estado se tenha demitido do apoio social
- 06/08/2026 16:17
- Redação
O Presidente da República, António José Seguro, considerou hoje inaceitável a demissão do Estado na resposta social, nomeadamente no apoio à terceira idade, levando milhares de famílias ao desespero.
"É aqui que preciso de ser franco. É inaceitável que o Estado se tenha demitido, em tão larga medida, de responder a esta necessidade que leva milhares de famílias ao desespero", afirmou o chefe de Estado na cerimónia de inauguração da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI) da Associação de Solidariedade Social, Recreativa e Desportiva (ASSRD) de Vila Chã de Sá, em Viseu, com 63 camas.
Seguro fez votos para que os residentes encontrem "muitos momentos de felicidade e uma rotina tranquila" e vivam "longe das inquietações que assombram tantas famílias portuguesas que não conseguem encontrar um lugar digno para quem amam".
"Portugal é o terceiro país da União Europeia (UE) com menos camas por idoso em lares. Temos menos de quatro camas por cada mil pessoas com mais de 65 anos. A média da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] é de 41 camas", afirmou.
António José Seguro lembrou que "muitas residências não têm vagas" e que a população "envelhece a cada ano". "Os preços sobem e, para demasiadas famílias, o custo de um lar aproxima-se, ou ultrapassa, o rendimento de todo o agregado", disse.
Neste sentido, afirmou que a nova ERPI no concelho de Viseu é "um sinal positivo para toda a comunidade" de Vila Chã de Sá, que investiu 4,5 milhões de euros, tendo a obra sido comparticipada em um terço pelo Estado, outro terço assegurado por fundos próprios e o restante financiado através de recurso à banca.
"Mas não podemos esquecer uma verdade que tenho repetido e vou continuar a repetir: não cabe ao setor social substituir-se às responsabilidades do Estado. Milhares de famílias aguardam, dolorosamente, uma resposta. E a tendência é de agravamento de um problema que todos temos o dever de impedir que se transforme numa tragédia geracional", defendeu o Presidente.
Para António José Seguro, "cuidar de quem envelheceu é uma das causas que mais" o interpela enquanto Presidente da República e como "simples cidadão". "Porque há uma coisa que nenhuma sociedade decente pode aceitar: é indesculpável não tratar bem quem nos tratou bem a nós", acentuou.
O chefe de Estado lembrou que os residentes desta nova estrutura são pessoas que "criaram filhos, construíram o país, cuidaram das gerações que se seguiram". "Devemos-lhes, no mínimo, a dignidade de um tempo sereno e acompanhado", reforçou.
Na sua intervenção, o Presidente da República destacou ainda os 52 anos de existência da ASSRD de Vila Chã de Sá e o trabalho desenvolvido pela instituição, salientando previamente que "a solidariedade existe em várias formas, mas, na condição humana, ganha uma dimensão ética, filosófica e universal muito mais profunda".
"Num mundo cada vez mais egoísta, onde tantas relações humanas se esgotam em resultados quantitativos, abraçar projetos solidários merece ser enaltecido", realçou.
Além da ERPI, com 63 camas, a valência mais recente da associação, a ASSRD assegura ainda apoio domiciliário a cerca de 100 pessoas e dispõe de uma creche frequentada por 40 crianças.