Imperial ou fino? Portugal lidera o consumo de cerveja fora de casa
- 07/08/2026 03:00
- Redação
Esta sexta-feira, a primeira de agosto, assinala-se o Dia Internacional da Cerveja, um setor que continua a crescer no país e a demonstrar “resiliência, capacidade de inovação e adaptação às novas preferências do consumidor”, garante a associação Cervejeiros de Portugal.
Os dados preliminares do primeiro semestre de 2026 apontam para um crescimento homólogo das vendas de 1,67%, no mercado interno.
O estudo “Impacto Socioeconómico do Setor Cervejeiro em Portugal”, da Nova School of Business and Economics, destaca o “forte efeito multiplicador” desta atividade na economia nacional.
A produção e comercialização de cerveja já é responsável por 2,53% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, da riqueza produzida.
Em 2024, cada euro pago pelo setor em impostos traduziu-se em 36,86 euros de receita fiscal total para o Estado, através do emprego, dos fornecedores e restantes efeitos na cadeia de valor. Segundo o trabalho da Nova SBE, este indicador inclui as receitas de IRS, IRC e contribuições para a Segurança Social (não tem em conta o IVA), e demonstra que “o contributo fiscal do setor ultrapassa amplamente a receita gerada diretamente pelas produtoras de cerveja”.
O setor emprega 3 mil pessoas, mas é responsável por 170 mil postos de trabalho, se forem incluídos os diretos, indiretos e induzidos. No ano em análise foram pagos 2.776,2 milhões de euros em remunerações.
O mercado português contrasta com o resto da Europa, onde se regista uma quebra das vendas. No último ano, segundo o último “European Beer Trends”, da Brewers of Europe, a produção de cerveja na União Europeia diminuiu 2,9% e o consumo recuou 3,2%.
A principal tendência do mercado nacional é “a forte evolução da cerveja sem álcool”, que também cresce na generalidade dos países europeus.
Foi lançada em Portugal há 30 anos, altura em que refletia a tecnologia disponível. O resultado “não era perfeito”, admite Carlota Burnay. “Só nos últimos 10 anos o setor investiu bastante para chegar à taxa 0,0 de álcool”.
As vendas da cerveja sem álcool começaram por crescer entre 4% e 6%, no máximo chegaram aos 8%. “Em 2025 disparou para quase 12% e já no primeiro semestre de 2026 atingimos vendas de 12% e uma subida de quase 17% na produção”, explica a diretora-geral da associação Cervejeiros de Portugal.
“Antigamente poderia ser um nicho, agora (a cerveja sem álcool) é efetivamente um produto escolhido pelos portugueses”, garante Carlota Burnay.
“Noutros países a cerveja consumida é super diversificada a nível de origens, mas aqui em Portugal, acima de tudo, o consumidor prefere a cerveja portuguesa”. Além das marcas mais conhecidas, destaca-se também “o sector microcervejeiro, que está a fazer um trabalho notável a nível regional, desde o Algarve, às Ilhas e ao Norte do país”, diz a diretora-geral dos Cervejeiros de Portugal.
Outra característica do mercado nacional é que a cerveja é sobretudo consumida em espaços públicos, como cafés, hotéis, restaurantes, bares ou explanadas. “Nós somos o país número 1 de consumo de cerveja fora de casa, ou seja, em cada 10 cervejas consumidas em Portugal, 7 são consumidas nos nossos cafés, nos nossos restaurantes, é uma bebida acima de tudo social”, defende.
Nos restantes países europeus, verifica-se exatamente o contrário. “Vendem acima de tudo no retalho e as cervejas não são tão consumidas em restaurantes”.
A cerveja a pressão, mais conhecida por imperial ou fino, e em garrafa continuam a ser as preferidas. “Mas, uma vez que 70% do consumo de cerveja é feito fora de casa, naturalmente que as pessoas optam mais pela cerveja no copo, admite Carlota Burnay.
A cerveja em lata representa apenas 10% a 11% do consumo em Portugal e “muito por causa dos estrangeiros”.
A Lager “continua a ser a preferência cabal dos portugueses”, num mercado onde as opções têm aumentado. “Estão a nascer todo um conjunto de sabores de cerveja, entre os artesanais, entre as pretas, entre as IPAS, pulverizou-se o consumo de cerveja em geral”.
Há ainda cerca de uma centena de produtores artesanais no país, um nicho de mercado onde os encerramentos e as aberturas são constantes. “As cervejas artesanais são um pouco as startups do sector cervejeiro”, defende Carlota Burnay, “é preciso muita resiliência para trabalhar neste sector, os artesanais são cervejeiros apaixonados, que às vezes agregam à sua atividade habitual de enfermeiros, médicos, comerciais, que se apaixonam pela cerveja e produzem a sua cerveja”.
Carlota Burnay descreve a cerveja como “uma bebida, acima de tudo social, acima de tudo de convívio, de encontro ao final da tarde, às vezes de harmonização com alguns pratos, que é uma tendência que também já começa a crescer em Portugal”. Além disso, “tem um peso gigante na economia por causa do efeito a jusante da cerveja”, conclui.