Diocese de Vila Real lança novo plano pastoral para reconstruir comunidades "vivas" em chave sinodal

Diocese de Vila Real lança novo plano pastoral para reconstruir comunidades "vivas" em chave sinodal

  • 07/08/2026 05:50
  • Redação

A Diocese de Vila Real iniciou um novo ciclo pastoral com a apresentação do Plano Pastoral para 2026/2027, "Alicerçados em Cristo", documento que inaugura um triénio sob o lema "Em Cristo (re)construímos comunidades vivas". O plano resulta do caminho de escuta e discernimento realizado nos últimos meses em toda a Diocese e integra muitas das propostas saídas das Assembleias Sinodais Arciprestais.

Na apresentação do documento, o bispo de Vila Real, D. António Augusto Azevedo, afirmou que o plano pretende ser "um estímulo à novidade e criatividade na ação pastoral, para que a vida das comunidades se renove, não se limitando à mera rotina ou repetição", assumindo-se como um instrumento de comunhão e de renovação para toda a Diocese.

O novo triénio pastoral nasce com uma preocupação clara: responder às mudanças que marcam hoje a realidade das comunidades cristãs, quer nos meios rurais, profundamente afetados pelo envelhecimento da população e pela desertificação, quer nas zonas urbanas, onde surgem novos desafios de participação e pertença.

Segundo o prelado, o lema "Em Cristo (re)construímos comunidades vivas" aponta precisamente para essa missão de revitalização.

"É fundamental que, ao longo deste triénio, a nossa pastoral e as nossas comunidades caminhem no sentido de reconstruir essas comunidades para que sejam mais vivas", afirmou, lembrando que "a Igreja é um conjunto de comunidades cristãs" e que, nas circunstâncias atuais, "é importante sublinhar esta dimensão comunitária da Igreja".

O primeiro ano do triénio tem como tema "Alicerçados em Cristo", procurando recentrar toda a ação pastoral na pessoa de Jesus Cristo.

"A ideia base é que as comunidades cristãs têm o Senhor como alicerce. Giram à sua volta e Ele é o centro, a razão de ser da vida da Igreja e de cada comunidade em particular", explicou D. António Augusto Azevedo.

O percurso continuará, no segundo ano, sob o lema "Pedras Vivas", inspirado na imagem bíblica da construção da Igreja. O objetivo será reforçar a consciência de que cada batizado é chamado a participar ativamente na vida da comunidade.

"Nunca é demais insistir na necessidade de participação e na consciência de pertença", afirmou o bispo, reconhecendo que muitas pessoas continuam ligadas à Igreja, mas nem sempre se sentem verdadeiramente corresponsáveis pela sua missão.

O terceiro e último ano do triénio será dedicado ao tema "Casa para Todos", procurando reforçar a dimensão acolhedora da Igreja.

"A Igreja é casa para todos, uma casa de portas abertas que a todos aguarda", sintetizou.

Uma das características que D. António Augusto Azevedo mais destacou foi a forma como o documento foi elaborado.

"Este plano é um exercício de sinodalidade", afirmou. "Não foi elaborado da cabeça ou da vontade de alguém, mas nasceu dos contributos do Conselho Pastoral Diocesano, do Conselho Presbiteral, dos arciprestados e de muitas outras instâncias da Diocese."

O bispo sublinhou que as Assembleias Sinodais Arciprestais realizadas ao longo do último ano produziram "propostas muito ricas", muitas das quais foram agora integradas no documento pastoral.

"As conclusões dessas assembleias estão vertidas neste plano", referiu, considerando que o documento representa "um exercício e um testemunho de sinodalidade".

Mais do que definir atividades, o Plano Pastoral pretende reforçar uma forma de trabalhar em comunhão.

"A pastoral hoje precisa de ser uma pastoral de conjunto, articulada, que tenha na base um sentido de comunhão", afirmou D. António Augusto Azevedo, defendendo uma maior articulação entre paróquias, movimentos, serviços diocesanos e instituições da Igreja.

Para o bispo, o plano deve funcionar como uma referência comum para toda a Diocese, evitando que cada comunidade caminhe isoladamente.

"É um instrumento útil para ajudar todas as instâncias da Diocese a sintonizarem-se com aquilo que são as orientações da Igreja e, ao mesmo tempo, um estímulo à criatividade, porque depois cada comunidade concretiza aquilo que considera mais adequado à sua realidade."

O novo ano pastoral ficará igualmente marcado pelo aprofundamento do processo sinodal na Diocese de Vila Real.

Depois das Assembleias Sinodais Arciprestais, terão lugar, até ao final de 2026, as Assembleias Sinodais Paroquiais e Interparoquiais, seguindo-se posteriormente uma Assembleia Sinodal Diocesana.

"O próximo ano representará mais um passo em frente neste percurso", afirmou o bispo, acrescentando que a verdadeira renovação da Igreja dependerá da capacidade das comunidades para concretizarem as orientações agora definidas.

"A renovação da Igreja, em estilo sinodal, será autêntica se cada paróquia, cada movimento e cada instituição aproveitarem estas sugestões e implementarem concretamente este espírito de participação, comunhão e corresponsabilidade", reforçou.

O documento define ainda um conjunto de prioridades pastorais para o primeiro ano do triénio.

Na catequese, será dada especial atenção ao novo itinerário catequético, sobretudo à etapa inicial do Despertar da Fé, valorizando uma catequese que não se limita à transmissão de conteúdos, mas conduz ao encontro com Cristo, à integração na comunidade cristã e ao compromisso missionário.

Na liturgia, o destaque vai para a valorização do domingo e da Eucaristia, procurando igualmente encontrar respostas pastorais para as comunidades onde a diminuição do número de sacerdotes impossibilita a celebração dominical da missa.

Perante esta realidade, a Diocese prevê novas respostas pastorais para garantir que as comunidades continuem a reunir-se ao domingo. O Plano Pastoral aposta na valorização das assembleias dominicais na ausência de presbítero e no reforço da corresponsabilidade dos fiéis.

"Em muitas áreas da diocese começamos a ter dificuldade em ter sacerdotes para assegurar a missa do domingo. Teremos de procurar outras formas complementares, como as assembleias dominicais na ausência de presbítero", afirmou D. António Augusto Azevedo durante a apresentação do documento.

Na área da caridade, o plano incentiva a criação de grupos visitadores para acompanhar pessoas idosas, doentes e em situação de maior vulnerabilidade.

Entre as prioridades estão ainda o reforço das estruturas de participação sinodal nas paróquias, a preparação dos sacramentos da iniciação cristã e uma pastoral mais articulada entre os diversos organismos diocesanos.

Recorrendo à parábola do semeador, D. António Augusto Azevedo resumiu o horizonte do novo plano pastoral: "A Igreja continua, em cada geração, a semear a Palavra e a formar comunidades à volta da Palavra e da Eucaristia. É isso que nos propomos fazer."

O bispo manifestou o desejo de que o novo Plano Pastoral seja mais do que um documento orientador e se traduza numa renovação concreta da vida das comunidades, ajudando a Diocese de Vila Real a crescer "em lógica, espírito e estilo verdadeiramente sinodal".

  • Fonte: Rádio Renascença
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