"Tivemos de abrir as fronteiras". A Euskaltel-Euskadi já não vive só de ciclistas bascos
- 07/08/2026 05:30
- Redação
No ciclismo, há uma equipa basca que corre quase exclusivamente com ciclistas da região, tal como faz o Athletic Club no futebol.
A Euskaltel-Euskadi está a correr a Volta a Portugal e até 2013 seguia uma filosofia igual ao clube de Bilbau, mas decidiu torná-la um pouco mais flexível para se manter competitiva.
Ainda assim, o grosso do plantel de 26 ciclistas são bascos, mantendo o objetivo de desenvolver os jovens ciclistas de uma das regiões com mais tradição ciclista.
"O ciclismo globalizou-se e tivemos de abrir um pouco as fronteiras, mas a maioria são bascos, queremos desenvolver os jovens para que possam dar o salto para o WorldTour ou manter-se connosco", explica o diretor Pablo Urtasun, antes da primeira etapa da Volta.
Se o Athletic Club consegue manter-se um dos melhores clubes em Espanha, com troféus conquistado com relativa regularidade e sem qualquer despromoção, a tarefa é mais difícil no ciclismo.
A Euskaltel-Euskadi já esteve no WorldTour, a primeira divisão da modalidade, mas já não representa Espanha nesse patamar. Desde 2013 que é uma ProTeam, o segundo escalão.
O País Basco é uma das paragens obrigatórias para quem gosta da modalidade. São várias as provas de renome numa região com montanhas apetecíveis para os ciclistas.
"Somos uma das zonas com mais tradição no ciclismo em todo o mundo, com adeptos incríveis. A equipa ainda está no ativo 30 anos depois, mas está cada vez mais difícil conseguir patrocinadores", lamenta.
Desde 2013, quando perdeu o estatuto de equipa WorldTour, a Euskaltel-Euskadi não corre no Tour de France. Tirando a ocasional participação na Vuelta, os bascos estão afastados dos maiores palcos. Ainda assim, os adeptos da região continuam todos os anos a representar a equipa na estrada da maior prova da modalidade.
"Há a famosa 'marea naranja' (maré laranja). Os nossos adeptos vão para os Pirinéus para ver a prova. Não vamos ao Tour há muitos anos, mas eles estão sempre lá. Esperamos algum dia voltar ao Tour", espera.
A Euskaltel reforça-se no próximo ano com o principal ciclista basco neste século: Mikel Landa, um ciclista de culto que vai deixar o WorldTour para regressar a casa, numa fase final da carreira.
"É um passo em frente no nosso projeto, espero que possa ajudar a crescer o projeto", atira Urtasun.
Os bascos não estiveram na Volta no ano passado. 2025 foi ano de decisões no "ranking" UCI e, por isso, as provas por etapas saem prejudicadas, mas o objetivo é manter presença regular em Portugal.
"Quantos mais dias tem uma prova por etapas, pior é para os pontos, mas temos de desenvolver os nossos ciclistas e é bom ter provas como estas, ainda por cima não vamos à Vuelta este ano. Gostamos muito de Portugal e queremos estar aqui todos os anos", conclui.
Txomin Juaristi foi segundo classificado na Volta a Portugal em 2023 e é o chefe de fila da equipa. À entrada para a segunda etapa, está no sexto lugar da classificação geral.