Tavira e Loulé, as cidades que mantêm o ciclismo vivo no Algarve

Tavira e Loulé, as cidades que mantêm o ciclismo vivo no Algarve

  • 07/08/2026 05:15
  • Redação

A maior parte das corridas de ciclismo em Portugal disputam-se no norte e no centro, o que dificulta a vida das duas equipas do Algarve, a Aviludo-Louletano-Loulé e o Tavira-Crédito Agrícola, que sonham com um triunfo no regresso da Volta a Portugal ao sul do país, esta sexta-feira.

O Tavira entrou a vencer a ganhar com o "sprint" de Francisco Campos logo na primeira etapa. O Louletano foi protagonista nos últimos anos com Nicolàs Tivani, que está lesionado e ficou de fora, e Tomas Contte, a esperança da equipa nos "sprints".

Apesar dos bons resultados das duas equipas, a inflação dos preços coloca cada vez mais pressão nas duas equipas do sul.

"O gasóleo já foi a um euro, está a dois. Cada vez está mais difícil porque tudo está mais caro. É preciso uma ginástica orçamental grande, as equipas do norte estão favorecidas, mas eles não têm culpa, claro. É o que é", reconhece Vidal Fitas, diretor do Tavira.

Américo Silva, do Louletano, concorda: "A maior parte da nossa estrutura está em Loulé, ainda que tenhamos ciclistas de todo o país. Noventa porcento das corridas estão no norte e isso é um problema para nós."

Os três financiadores da equipa estão na região e tornam o projeto viável do ponto de vista financeiro: "O Louletano é o clube o mais eclético do país, não se tem bem noção disso e o povo de Loulé ama ciclismo, há uma história muito grande, daí a comparticipação municipal."

"Depois, a Aviludo é uma multinacional que está fixada no concelho. São todas estas sinergias que colocam a equipa na estrada com o nível que tem demonstrado", aponta Américo.

Vidal Fitas orgulha-se de orientar a equipa de ciclismo "mais velha do mundo em atividade". São 47 anos consecutivos na estrada.

O diretor, também algarvio, não consegue separar a cidade da modalidade: "Tavira é ciclismo, são mais de 100 anos, primeiro no Ginásio de Tavira e agora nós. Quando se ganha, cimenta-se ainda mais a importância na região".

Ambos os diretores reconhecem que a rivalidade já viu melhores dias: não há picardias entre o Tavira e a Aviludo.

"Agora já não há grande rivalidade. Não sentimos isso. No passado havia, quando existiam os campeonatos regionais. Agora, nem por isso", diz Vidal Fitas.

Américo Silva defende que "não há nada caseiro e regional" na forma como encaram as competições.

"Somos rivais de todos e de ninguém, por vezes são uns, às vezes são outras. Pode ser o Tavira, podem ser outros", explica.

Ainda assim, o dirigente da Aviludo-Louletano-Loulé defende que são os ciclistas de branco e vermelho que melhor têm representado a região.

"O Tavira ganhou a Volta a Portugal no passado, chegou a ser mais forte do que o Louletano, mas os números mostram que os nossos resultados têm sido melhores", atira.

Para já, o Tavira leva vantagem na edição deste ano, com o triunfo algo surpreendente de Francisco Campos. Com o regresso da Volta a Portugal ao Algarve, não será surpreendente ver as duas equipas com motivação extra para conseguirem um bom resultado.

Desde 2023 que a competição não passa pela região. Tal como o restante calendário, também a Volta começou a fixar-se cada vez mais no norte do país.

A altura do ano não ajuda na luta contra o isolamento do ciclismo algarvio: os municípios não estão tão interessados em investir numa chegada ou partida durante o mês de agosto, época alta do turismo.

Esta sexta-feira, o pelotão termina a segunda etapa em Albufeira, cidade europeia do Desporto. A autarquia cortou com o investimento no Imortal, obrigando a equipa a desistir da participação na primeira divisão de basquetebol, mas apostou numa chegada da Volta.

Com um regresso a estradas que bem conhecem, não será surpreendente que Tavira e Aviludo tentem lutar pela vitória, ainda que seja passagem rápida por casa.

"Se fosse em Tavira, seria diferente. Claro que as pessoas vão ver, mas estamos só de passagem, nem sequer vamos dormir lá, então não sentimos tanto", lamenta.

A segunda etapa da Volta a Portugal arranca em Sines e percorre 180 quilómetros até à meta em Albufeira, onde é esperado um final ao "sprint". Rui Oliveira, da UAE Team Emirates, defende a camisola amarela.

  • Fonte: Rádio Renascença
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