Espanha prepara enterros e prossegue identificação das vítimas da tragédia de Ceuta

Espanha prepara enterros e prossegue identificação das vítimas da tragédia de Ceuta

  • 07/08/2026 06:35
  • Redação

As autoridades espanholas reforçaram as equipas forenses em Ceuta para acelerar a identificação dos 80 migrantes que morreram na tentativa de entrada em massa no enclave espanhol, na semana passada. Enquanto decorrem os trabalhos de identificação, a maioria das vítimas será sepultada nos próximos dias, embora o processo para lhes atribuir uma identidade prossiga depois dos funerais.

Perante o elevado número de mortos, foram recolhidas impressões digitais e amostras de ADN de todos os corpos ainda não identificados, permitindo que as autoridades continuem a tentar estabelecer a identidade das vítimas e localizar os respetivos familiares.

A tragédia ultrapassou largamente a capacidade da equipa médico-legal de Ceuta, composta por apenas cinco especialistas, que durante todo o ano passado realizou 76 autópsias, menos do que o número de vítimas mortais registadas neste único episódio. Para responder à situação, foram destacados oito profissionais da Península e instalado um novo espaço mortuário num antigo hospital militar.

"Fomos confrontados com um número de vítimas que ultrapassou a nossa capacidade operacional", afirmou Manuel Aparcero, responsável pela equipa forense, à Reuters.

Entretanto, do outro lado da fronteira, multiplicam-se os apelos de familiares que continuam sem saber o paradeiro dos seus familiares. Muitos acompanham as notícias, recorrem às redes sociais ou aguardam junto ao telefone por qualquer informação.

É o caso de Jamal Bahloul, de 26 anos, que procura o irmão Mohamed, de 22 anos, desaparecido desde 30 de julho.

"Não tivemos mais nenhuma notícia. Não sabemos se está em Ceuta ou se morreu", lamentou.

Outros familiares deslocaram-se à zona fronteiriça do lado marroquino para pressionar as autoridades e procurar informações nos necrotérios locais.

Segundo as autoridades espanholas, cerca de 72 mil pessoas entraram ilegalmente em Ceuta a partir de Marrocos em apenas 24 horas.

As autópsias revelaram que muitas das vítimas morreram por paragem cardiorrespiratória compatível com afogamento.

Até ao momento, apenas quatro corpos foram formalmente identificados, através de impressões digitais ou de testes de ADN. Outros quatro casos aguardam confirmação laboratorial.

A polícia espanhola partilhou as impressões digitais das vítimas com as autoridades marroquinas e criou um gabinete junto à fronteira onde os familiares podem comunicar desaparecimentos e fornecer amostras de ADN. Até quinta-feira tinham sido registadas 19 participações de desaparecimento.

O processo de identificação está a ser conduzido ao abrigo do protocolo espanhol para acidentes com elevado número de vítimas, normalmente aplicado em grandes acidentes rodoviários ou catástrofes naturais.

Segundo Manuel Aparcero, todos os corpos serão sepultados em Ceuta nos próximos dias, exceto se familiares de vítimas já identificadas solicitarem a sua repatriação. Mesmo depois do enterro, os corpos poderão ser exumados e transferidos para outro país mediante autorização judicial.

Antes dos funerais, as equipas forenses procederam ainda à preparação dos corpos de acordo com os ritos islâmicos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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