Primeiro-ministro da Tailândia anuncia nova lei sobre armas após ataque mortal em escola
- 07/08/2026 09:30
- Redação
O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Anutin Charnvirakul, poucas horas após o ataque. A proposta prevê que apenas funcionários públicos em serviço possam transportar armas de fogo, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre o alcance da nova lei nem sobre eventuais alterações às regras para a posse de armas.
"A nova lei permitirá apenas que funcionários públicos em serviço transportem armas", afirmou o chefe do Governo.
Segundo a polícia, o suspeito, um rapaz de 14 anos, utilizou uma arma pertencente ao avô para cometer o crime. Antes de se dirigir à escola, matou os dois avós e, já no estabelecimento de ensino, assassinou mais cinco pessoas, acabando depois por suicidar-se.
A Tailândia é o país do Sudeste Asiático com a maior taxa de armas de fogo na posse de civis. Segundo uma estimativa da organização Small Arms Survey, existiam, em 2017, 10,3 milhões de armas nas mãos da população, o equivalente a 15 armas por cada 100 habitantes.
Desse total, mais de seis milhões estavam legalmente registadas, enquanto cerca de quatro milhões circulavam sem registo.
A legislação tailandesa distingue atualmente entre licença de posse e licença de porte de arma.
A Tailândia tem sido palco de vários ataques com armas de fogo nos últimos anos, incluindo em escolas, num centro comercial em Banguecoque e no massacre de 2022, no nordeste do país, que provocou 36 mortos, entre eles 22 crianças.
Depois do ataque a um centro comercial, em 2023, o então ministro do Interior, Anutin Charnvirakul, promoveu medidas como a suspensão temporária da emissão de novas licenças, restrições à importação de armas e a proibição de menores de 20 anos frequentarem carreiras de tiro.
A professora Piyaporn Tunneekul, da Universidade Rajabhat de Nakhon Pathom, lembra que não existe uma avaliação obrigatória da saúde mental dos candidatos à posse de armas, nem reavaliações periódicas dos titulares das licenças.
A investigadora defende ainda a criação de mecanismos semelhantes às chamadas "leis de bandeira vermelha", existentes noutros países, que permitem retirar preventivamente armas a pessoas consideradas um risco para si próprias ou para terceiros.