Viticultores exigem preços mínimos, contratos obrigatórios e mais apoios para salvar o Douro
- 07/08/2026 11:13
- Redação
Preços mínimos para as uvas, contratos obrigatórios, aumento do benefício e medidas urgentes para garantir o escoamento da produção são algumas das principais reivindicações dos viticultores da Região Demarcada do Douro, que esta sexta-feira se concentraram junto ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), na Régua.
Na proclamação entregue ao IVDP, os produtores afirmam que a situação no Douro é "insustentável e insuportável" e defendem que são necessárias medidas estruturais para garantir rendimentos dignos e evitar o abandono das explorações agrícolas.
Os viticultores acusam as grandes casas comercializadoras e exportadoras de pagarem preços demasiado baixos pelas uvas, apesar do aumento dos custos de produção.
"Não é possível continuar a produzir a preços de há 25 anos, quando todos os custos de produção aumentaram brutalmente", afirmam, considerando que esta realidade está a conduzir "à asfixia e ao abandono" sobretudo dos pequenos e médios produtores.
A poucos dias do início da vindima, dizem viver um cenário de grande incerteza.
"Não temos nem preços, nem contratos. Não sabemos sequer onde vamos conseguir entregar as uvas", lamentam os produtores, criticando o facto de o Governo anunciar sucessivos planos sem responder aos problemas considerados essenciais para a região.
Entre as exigências apresentadas estão a obrigatoriedade de contratos escritos, a fixação pelo Estado de preços mínimos para as uvas e a proibição da compra abaixo dos custos de produção, bem como o aumento do quantitativo do benefício, a utilização de aguardente regional na produção de vinho do Porto, o reforço da fiscalização da entrada de mostos e vinhos de fora da região e uma destilação de crise destinada prioritariamente aos produtores das adegas cooperativas.
Os viticultores reclamam ainda que a Casa do Douro volte a ter capacidade legal e operacional para intervir na estabilização dos stocks e defendem a compra, pelo Estado, de pelo menos 15 mil pipas de excedentes das adegas cooperativas.
A concentração foi promovida pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pela AVADOURIENSE – Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense. As organizações alertam que continuam a circular informações de que algumas casas compradoras não irão receber uvas nesta vindima, deixando muitos produtores sem escoamento para a produção.
Apesar de reconhecerem que o Governo apresentou recentemente um novo plano para o Douro, os promotores da iniciativa consideram que a gravidade da situação exige respostas imediatas, defendendo que medidas como os contratos obrigatórios e os preços mínimos "não podem esperar mais um ano para serem aplicadas".
Os viticultores avisam ainda que, caso nada seja feito durante esta vindima, avançarão para novas formas de luta, reiterando que o objetivo é garantir condições para continuar a trabalhar as vinhas e preservar o património económico, social e cultural da Região Demarcada do Douro.