OSCOT: Redes de tráfico de droga estão "mais perigosas e sofisticadas"

OSCOT: Redes de tráfico de droga estão "mais perigosas e sofisticadas"

  • 07/08/2026 16:38
  • Redação

As redes que as autoridades nacionais têm de combater no tráfico internacional de estupefacientes estão “cada vez mais perigosas” “e usam métodos que até agora não usavam para atingir os objetivos”. Quem o diz é o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), o coronel Francisco Martins Rodrigues, que acrescenta que estes grupos criminosos estão também cada vez mais sofisticados com o uso de drones e até de submarinos para atingir os seus objetivos.

O coronel Francisco Martins Rodrigues acredita, ainda assim, que apesar deste crescimento, esta “é uma situação que não nos deve preocupar”, mas “deve-nos fazer aumentar a atenção sobre o fenómeno do tráfico de estupefacientes”.

O diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, João Oliveira, disse esta semana em conferência de imprensa que há já “um superavit com alguma expressão. Superavit que é superior a 10%, que já é significativo e é particularmente significativo se tivermos em atenção o facto de ainda termos mais uns meses até ao final do ano”.

No entendimento do líder do OSCOT, este crescimento deve-se, acima de tudo, à tentativa de ganho de eficiência destes grupos.

“Esta é a rota mais direta entre a América Latina e a Europa, Portugal está exatamente na rota mais curta entre estes dois pontos, portanto é natural que os traficantes procurem naturalmente utilizá-la de uma forma mais frequente”, sublinha.

O especialista em segurança e informações não acredita que as redes de tráfico escolham Portugal por “considerarem uma rota mais permeável”.

E considera que “os traficantes estão a tentar colocar mais quantidade de droga na Europa”, e que essa é uma das razões mais fortes para “aumentar o número de apreensões”.

Para o presidente do OSCOT, estas redes internacionais “procuram atingir os objetivos a todo o custo”. E há grupos “que são mais perigosos, mais violentos”. Neste âmbito, olha com especial preocupação para os “grupos sul-americanos”.

“Todas as iniciativas que sejam feitas para interromper, digamos assim, as suas atividades, existirá sempre a probabilidade de haver a utilização de meios mais violentos, que podem levar naturalmente à morte de pessoas”, admite.

E conclui, com os dados que conhece, que estes grupos “estão mais perigosos e usam meios que até à data não utilizavam para fazer valer os seus objetivos”.

O mesmo coronel Francisco Martins Rodrigues considera também que, naturalmente, estes grupos vão “sofisticando as formas de atuação”.

“No passado, não víamos, por exemplo, a utilização de drones para levar as drogas do ponto A para o ponto B” e “não víamos a utilização de submarinos construídos exatamente para transportar essa mesma droga e fazê-la chegar da América Latina ao continente europeu”.

“Vão utilizando tecnologias várias para contrariar tudo aquilo que é a captação de informações por parte das forças de segurança e dos serviços de informações”, argumenta.

Mas do outro lado, neste jogo que considera ser “do gato e do rato”, as autoridades de investigação policial “têm vindo também naturalmente a alterar a sua forma de atuação e estão hoje muito mais capacitadas”.

Um reforço que diz não ser “tanto do ponto de vista operacional”, “através de recursos humanos”, mas “utilizando cada vez mais as tecnologias”. Respondem também com “intersecção de comunicações”, e drones “para fazer vigilância”.

Por fim, e como foi salientado pelo diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, João Oliveira, a cooperação internacional entre policias é cada vez mais um fator decisivo neste tipo de operações de grande envergadura.

“Uma das coisas que tem levado, de facto, a uma maior apreensão de estupefacientes deve-se exatamente à cooperação internacional”, concorda coronel Francisco Martins Rodrigues.

O mesmo sublinha que a cooperação internacional tem vindo a ser robustecida ao longo destes últimos anos e têm sido criadas estruturas internacionais que promovem essa cooperação.

Em Portugal, está até sediado o centro de uma estrutura que mais tem contribuído com a informação para a Polícia Judiciária, para as apreensões feitas nestes últimos anos.

“É o MAOC-N, Maritime Analysis and Operations Center, e o N no final é narcóticos, um centro de inteligência que procura agregar tudo aquilo que é informações provenientes de vários países, produz uma análise bastante eficaz e depois difunde naturalmente essa análise quando entende que estão reunidas todas as informações que podem levar à intersecção de algumas operações de tráfico de estupefacientes”, remata.

  • Fonte: Rádio Renascença
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