Morreu escritor, advogado e ex-deputado socialista Joaquim Sarmento
- 08/08/2026 15:33
- Redação
O escritor, advogado e ex-deputado socialista Joaquim Sarmento morreu este sábado aos 74 anos, em Resende, no distrito de Viseu, onde residia, disse à agência Lusa fonte da família.
Joaquim Sarmento, que publicou cerca de uma dezena de títulos entre romances, crónicas e teatro, procurou ao longo da vida dar “um espaço maior para a cultura”. “Sempre fiz da cultura um importante patamar da vida pública”, afirmou o escritor à Lusa, em 2010, quando recebeu o Prémio de Mérito Cultural da Câmara de Lamego, depois de já ter sido distinguido com a Medalha de Ouro da cidade.
Autor de “A memória e o tempo” e “O crime de Cerejeiro”, Joaquim Sarmento nasceu numa freguesia de Lamego, no início de 1952, cidade onde viveu, exerceu advocacia e assumiu cargos autárquicos, em democracia.
Joaquim Sarmento fez carreira política nas fileiras do PS, tendo sido eleito deputado à Assembleia da República pelo distrito de Viseu, em dois mandatos, que cumpriu entre 1995 e 2002, durante a VII e VIII Legislaturas.
Em termos autárquicos, foi presidente da Assembleia Municipal de Lamego, entre janeiro de 1998 e dezembro de 2001, desempenhou as funções de vice-presidente da Câmara Municipal desta cidade, entre 1993 e 1997, e foi vereador da Cultura, entre 2001 e 2005.
“Fragmentos” (1999), com prefácio de Rui Vieira Nery, foi o seu primeiro livro publicado, reunindo artigos dispersos pela imprensa nacional e regional, em colaborações que incluíram jornais como o Público e a revista Finisterra.
Seguiram-se “Fragmentos e paixões” (2006), com prefácio de Manuel Alegre, e “Retalhos de silêncio – Diário de um deputado” (2002), com prefácio do antigo presidente da Assembleia da República António de Almeida Santos.
Este último livro “provocou alguma polémica pela forma frontal” como retratou o quotidiano parlamentar, explicou o escritor à Lusa, em 2010.
Em parceria com Fernando Marado, escreveu “Amália – uma paixão”, contando ainda a sua bibliografia com duas peças de teatro: “As folhas do Limoeiro”, levada à cena no Teatro Ribeiro da Conceição, em Lamego, na temporada de 2010, e “A memória e o tempo”.
Joaquim Sarmento publicou ainda os romances “O crime do Cerejeiro”, “A revolução de António e Oriana” e “O deus da ausência”.
Entre as suas “principais referências literárias”, Joaquim Sarmento indicou à Lusa os escritores Marcel Proust e Vergílio Ferreira.
Joaquim Sebastião Sarmento da Fonseca Almeida era licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e tinha uma pós-graduação em Estudos Europeus, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
“Ele viveu intensamente o quanto pôde”, disse à Lusa a sua filha, a cantora Helena Sarmento, que recordou que todos os livros do pai foram escritos “sob o signo da doença”, como ele próprio costumava dizer.
Segundo a filha, apesar da doença, Joaquim Sarmento continuou ligado à cultura, a programar atividades culturais, a ler, a viajar e a acompanhar a carreira musical da filha. “Ia ver todos os meus concertos, os últimos já de cadeira de rodas”, recordou.
Helena Sarmento contou ainda que, em 2013, o pai deixou de andar e, em 2016, ficou internado. A cantora interpretou poemas de Joaquim Sarmento, nomeadamente “Lonjura”, no álbum que publicou em 2018.
As cerimónias fúnebres realizam-se no domingo, em Lamego, na Igreja de Nossa Senhora da Graça, com missa às 11h00, seguindo-se o funeral para o Cemitério da Cruz Alta, na cidade.