BE condena ataques a Taybeh e questiona Governo sobre proteção da comunidade cristã

BE condena ataques a Taybeh e questiona Governo sobre proteção da comunidade cristã

  • 08/08/2026 15:30
  • Redação

O Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República um voto de condenação pelos ataques de colonos israelitas contra Taybeh, considerada a última vila inteiramente cristã da Palestina, e dirigiu ao Governo um conjunto de perguntas sobre a proteção das comunidades cristãs e da população palestiniana na Cisjordânia ocupada.

Taybeh, situada a nordeste de Ramallah, mantém uma presença cristã ininterrupta desde o século V e conta atualmente com cerca de 1300 habitantes. A vila tem três comunidades cristãs ativas – latina, greco-ortodoxa e greco-católica melquita – e encontra-se, segundo o documento apresentado pelo BE, cercada por seis postos avançados de colonatos ilegais.

O partido denuncia uma escalada de violência que se tem agravado nos últimos anos. Em julho de 2025, o fogo chegou aos muros da igreja de São Jorge e, meses depois, colonos armados terão disparado contra trabalhadores de uma pedreira local. A pedreira viria a ser ocupada, juntamente com uma fábrica de cimento, em março de 2026, quando colonos hastearam a bandeira israelita sobre um dos silos.

O voto refere ainda um incêndio de grandes dimensões na encosta de Jabal al-Masis, em junho deste ano, durante o qual os bombeiros palestinianos terão sido inicialmente impedidos de chegar ao local. Em julho, terá começado a preparação de um novo posto avançado junto às habitações da vila e, já em agosto, colonos terão entrado repetidamente na propriedade de uma família cristã, cortado a vedação e realizado rondas de intimidação dentro da própria localidade. O BE sublinha que, até ao momento, não é conhecida qualquer detenção relacionada com os ataques.

A situação levou o pároco de Taybeh, padre Bashar Fawadleh, a lançar um apelo: “Pedimos-vos que não nos esqueçam”. O voto apresentado pelo BE recorda também a preocupação manifestada pelo Papa Leão XIV perante o aumento da violência na Terra Santa e refere que representantes de mais de 20 Estados já visitaram a vila.

Para o partido, Taybeh deve ser enquadrada num contexto mais amplo de violência na Cisjordânia. O documento cita dados das Nações Unidas segundo os quais 2025 registou 1.835 ataques de colonos e aponta para um ritmo ainda mais elevado em 2026, com uma média de seis ataques por dia. O governadorado de Ramallah e al-Bireh, onde se encontra Taybeh, é apontado como o mais atingido.

O Bloco recorda igualmente que o Tribunal Internacional de Justiça, no parecer consultivo de 19 de julho de 2024, declarou a ilegalidade da ocupação israelita e a obrigação de pôr termo à política de colonatos.

Numa pergunta dirigida ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, o deputado bloquista Fabian Figueiredo quer saber que avaliação faz o Governo português dos ataques a Taybeh e das suas consequências para a presença cristã e para a população palestiniana.

O BE pergunta também que diligências foram realizadas bilateralmente junto de Israel para exigir o fim dos ataques, responsabilizar os autores e desmantelar os postos avançados que cercam a vila. Quer ainda saber se a representação diplomática portuguesa visitou Taybeh e, caso isso não tenha acontecido, se existe uma visita prevista.

Entre as questões colocadas está também a posição de Portugal relativamente ao alargamento das sanções da União Europeia a colonos violentos e às organizações que os financiam ou enquadram, bem como a possibilidade de proibir importações provenientes dos colonatos. O partido questiona ainda que medidas foram adotadas por Portugal no cumprimento dos deveres de não reconhecimento e de não assistência decorrentes do parecer do Tribunal Internacional de Justiça.

O Bloco lembra que Portugal reconheceu o Estado da Palestina em setembro de 2025 e considera que esse reconhecimento “obriga” a uma atuação concreta. O partido afirma que a posição do Governo português sobre as medidas em discussão na União Europeia não é, até ao momento, publicamente conhecida.

No voto apresentado no Parlamento, o BE propõe que a Assembleia da República condene os ataques contra a população de Taybeh e contra as comunidades palestinianas, cristãs e muçulmanas, expresse solidariedade aos habitantes da vila e apеле à responsabilização dos autores, ao desmantelamento dos postos avançados e à adoção de medidas concretas contra a política de colonatos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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