Chegou o dia da temida subida à Serra da Estrela, a montanha em que "só conta a condição física"

  • 09/08/2026 04:25
  • Redação

Não há grandes táticas a planear numa subida de 21,2 quilómetros de distância e com uma pendente média de 6,3%. É o que os ciclistas do pelotão da Volta a Portugal terão de enfrentar este domingo na subida à Torre, o ponto mais alto do continente.

Para o experiente dirigente, também um ex-ciclista, a Torre é a "subida mais dura" da competição, o que não significa que seja a etapa mais dura.

"Os corredores é que criam a dureza. Há etapas com sucessão de subidas que podem ser mais duras. A Torre é uma hora de subida, sempre numa pendente a rondar os 7%", explica. Os corredores têm de gerir o esforço. O problema é quando isso não é possível.

"Depende tudo da forma como a subida é abordada porque, por vezes, vão num ritmo regular, mas também pode ser atacada desde o início", explica.

Pedro Silva, da Feira dos Sofás-Boavista, é um candidato mais improvável para a etapa. Em 2025, chamou à atenção na Torre no apoio a Artem Nych. Terminou no sexto lugar da etapa, apesar de ter assumido o ritmo da subida durante bastantes quilómetros.

Este ano, o pelotão já subiu à Torre no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela e Pedro Silva foi quarto. Fez dois estágios em altitude, ambos na Covilhã. Conhece bem a subida.

"Esta etapa é mítica. Fiz dois 'training camps' na Serra da Estrela, fiz Covilhã-Torre inúmeras vezes, é uma subida muito especial, é um sonho vencer na Torre", afiança Silva.

O ciclista concorda com o diretor desportivo da Efapel: "É uma subida em que acaba por ser só sofrimento. Há um ponto ou outro em que pode haver tática, mas vence o mais forte. O que estiver melhor, acaba por vencer".

Pedro Silva sonha com o pódio na chegada aos Aliados, uma mudança radical de objetivos desde que começou a carreira.

"Era mais conhecido por ser sprinter, mas nunca gostei de sprintar porque é muito caótico, muita confusão. Sempre subi bem, o meu ponto fraco é o crono e nos últimos anos trabalhei muito para melhorar a performance nas subidas, até no peso. Acho que sou mais completo e as subidas são um ponto forte agora", explica.

As diferenças na classificação geral ainda são curtas, marcadas apenas pelo prólogo. A quarta etapa será a primeira de montanha e é na Torre que se começará a definir o "top-10" final.

"Começa a decisão da Volta a Portugal. Nós queremos disputar a vitória e sabemos a importância da etapa, por isso, queremos estar na frente", diz José Azevedo.

A Efapel tem uma liderança dividida entre Jesus David Peña e Tiago Antunes, dois dos favoritos para o dia. Adrià Pericas, da UAE, é uma grande promessa na montanha, sendo que os olhos estão postos em Artem Nych, o bicampeão em título e o melhor dos voltistas na classificação geral.

Para lá do campeão de 2024 e 2025, a Anicolor-Campicarn conta ainda com Alexis Guerin, que fez segundo na época passada.

A Efapel de José Azevedo é um projeto que começou há cinco anos. Já venceram quase todas as competições internas. Falta a Volta.

"Seria a cereja no topo do bolo. Estou satisfeito com os resultados, temos estado a crescer, este é o nosso melhor ano, mas a Volta é a corrida mais importante do nosso calendário", conclui.

A etapa quatro da Volta a Portugal arranca em Figueiró dos Vinhos e termina na Torre.

Até lá, será uma etapa acidentada e com mais três prémios de montanha na primeira metade da etapa: um de segunda categoria em Braçal e dois de terceira, no Alto da Portela de Gavião e no Alto da Portela do Armodouro.

  • Fonte: Rádio Renascença
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