Netanyahu rejeita plano de Trump para Gaza e exige desarmamento do Hamas antes da retirada israelita

Netanyahu rejeita plano de Trump para Gaza e exige desarmamento do Hamas antes da retirada israelita

  • 09/08/2026 12:49
  • Redação

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou o plano de 15 pontos apresentado por Donald Trump para Gaza, deixando claro que não pretende retirar as forças israelitas do território enquanto o Hamas não entregar as armas.

O primeiro-ministro israelita garantiu ainda que as forças israelitas vão continuar a atuar contra aquilo que considera serem ameaças dirigidas contra os militares e a população de Israel.

A posição de Netanyahu representa um novo obstáculo à implementação do plano de Trump, que prevê, entre outras medidas, o desarmamento do Hamas, a retirada das tropas israelitas de Gaza e a reconstrução do território palestiniano.

O plano prevê também a criação de um Conselho de Paz, liderado por Trump, para supervisionar a aplicação do acordo.

Do lado palestiniano, a posição é diferente. Um responsável do Hamas disse à BBC que o movimento “reafirma o seu compromisso” com o acordo e está preparado para participar “de forma séria e responsável” na implementação do plano.

O Hamas exige, no entanto, que os mediadores garantam o cumprimento dos compromissos assumidos por todas as partes. O grupo tem defendido que a entrega das armas pesadas deverá estar ligada ao fim das operações militares israelitas e à retirada das tropas de Gaza.

Netanyahu rejeita a possibilidade de uma retirada israelita antes do desarmamento do Hamas e sublinha que não aceitará um processo que considere apenas simbólico. O primeiro-ministro afirmou que o desarmamento terá de ser “real” e não uma operação meramente formal.

O chefe do Governo israelita revelou ainda que estão a decorrer conversações com responsáveis norte-americanos sobre a forma de avançar. Segundo Netanyahu, algumas das propostas apresentadas pelos Estados Unidos são aceitáveis para Israel, enquanto outras são rejeitadas.

A decisão surge também num contexto de forte pressão política interna sobre Netanyahu. Elementos da direita e da extrema-direita da coligação governamental têm exigido uma posição mais dura relativamente ao futuro de Gaza.

Entre os críticos do plano está o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, que considera o acordo “inaceitável” e defende que o Governo israelita volte a pronunciar-se formalmente sobre a proposta.

A rejeição de Netanyahu surge pouco mais de uma semana depois de Trump ter anunciado o acordo como um “passo monumental rumo à paz e à segurança duradouras”.

A guerra em Gaza começou na sequência do ataque liderado pelo Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, que provocou cerca de 1.200 mortos e levou à captura de 251 reféns, segundo os dados citados pela BBC.

Israel respondeu com uma ofensiva militar de larga escala na Faixa de Gaza. De acordo com o Ministério da Saúde do território, mais de 73 mil pessoas morreram desde o início da guerra. As Nações Unidas consideram os números do Ministério da Saúde de Gaza credíveis.

A ONU estima ainda que cerca de 1,9 milhões de pessoas, aproximadamente 90% da população de Gaza, tenham sido deslocadas durante o conflito.

A rejeição israelita ao plano de Trump deixa, assim, por resolver uma das questões centrais do roteiro: como conciliar o desarmamento do Hamas com a retirada das forças israelitas, duas condições que, neste momento, permanecem dependentes uma da outra.

  • Fonte: Rádio Renascença
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