MAI diz que reparos do PR são alerta para se pensar e corrigir
- 09/08/2026 15:07
- Redação
O ministro da Administração Interna disse este domingo que as chamadas de atenção e os reparos do Presidente da República são encarados pelo Governo como um alerta para refletir e corrigir aquilo que for necessário.
“Naturalmente, as chamadas de atenção, os reparos do senhor Presidente da República são sempre vistos como uma forma de alerta e para se pensar e poder corrigir aquilo que há a corrigir”, afirmou Luís Neves, que falava aos jornalistas em Mirandela, no distrito de Bragança.
O governante foi questionado sobre as declarações proferidas hoje por António José Seguro, que afirmou ter transmitido a necessidade de melhorar “a prevenção e a capacidade de resposta” no combate aos incêndios. O Presidente da República lembrou também que o relatório da Comissão Técnica Independente, que avaliou os incêndios de agosto do ano passado, concluiu que “muito ficou por fazer depois dos relatórios anteriores, dos incêndios de 2017”.
Luís Neves diz receber positivamente essas críticas e reconhece que ainda há trabalho a fazer.
“Reajo muito bem, o senhor Presidente atua no sentido de corrigir e dar nota daquilo que no seu alto entendimento deve ser melhorado, há de facto um estudo da Comissão Técnica Independente, nós estamos a fazer esse percurso, significa que ainda há questões que têm que ser feitas”, afirmou.
O ministro lembrou ainda que foi aprovado no ano passado um grande plano para a floresta de 2050 e garantiu que o Governo escuta as observações do chefe de Estado.
“Com toda a bonomia, com toda a tranquilidade, escutamos, como sempre, o que o senhor Presidente da República tem a dizer neste tema, como em todos os outros temas”, acrescentou.
Luís Neves lembrou que este ano já se verificaram dois grandes incêndios no país, em Vouzela e Valpaços, mas destacou que mais de 95% dos incêndios são combatidos nos primeiros momentos.
O ministro considera, no entanto, necessário continuar a olhar para as duas vertentes da resposta aos incêndios: o combate e a prevenção.
“A nossa forma de estar durante toda a vida foi, sobretudo, apostar todas as fichas na questão do combate”, afirmou, recordando que, antes dos grandes incêndios de Pedrógão, 80% da despesa era destinada ao combate e apenas 20% à prevenção.
“Hoje estamos a mudar esse paradigma. Mais de 52% do que é gasto nesta temática é gasto na prevenção”, salientou.
Luís Neves visitou hoje os concelhos de Valpaços, Vinhais e Mirandela, afetados por um grande incêndio que atingiu cerca de 15 mil hectares e destruiu áreas agrícolas, nomeadamente de vinha, olival e amendoal. O fogo chegou também ao concelho de Macedo de Cavaleiros.
Em Mirandela, o ministro reuniu-se com autarcas, forças policiais e corporações de bombeiros.
A deslocação ao terreno teve como objetivo, segundo Luís Neves, ouvir os intervenientes sobre a forma como o incêndio foi gerido pela Proteção Civil e perceber o impacto nas populações.
“Ouvir, auscultar, refletir, sobretudo para que, se há algo que possamos fazer melhor, vamos fazer melhor”, salientou.
Questionado sobre as críticas relativas a uma alegada descoordenação durante o incêndio que começou em Valpaços a 28 de julho e se prolongou até 1 de agosto, Luís Neves disse ter ouvido relatos nesse sentido.
“Eu estive a escutar pessoas, agora, que me reportaram precisamente essa situação e, naturalmente, eu falarei com os responsáveis da Proteção Civil para perceber, de facto, o que aqui se passou”, referiu.
O ministro ressalvou, contudo, que a perceção dos cidadãos nem sempre corresponde à avaliação operacional dos agentes que estão no terreno.
“Às vezes o cidadão olha e pensa que o trabalho poderia ser feito de determinada maneira, mas quem sabe são os agentes de Proteção Civil e os bombeiros”, afirmou.
Luís Neves reconheceu que não considera que tudo tenha corrido necessariamente de forma perfeita, mas explicou que as condições meteorológicas podem determinar o momento mais adequado para combater um incêndio.
“Não estou a dizer aqui que tenha sido tudo perfeito, mas muitas vezes combater em determinadas circunstâncias durante o dia um incêndio é absolutamente inglório e é deixar estes meios para momentos mais propícios, geralmente à noite, quando há mais humidade, quando se calhar o vento amainou, e aí se pode fazer esse combate. Portanto, há aqui todo um caminho”, sublinhou.
Sobre a rede de comunicações SIRESP, o ministro afirmou que o sistema funcionou de forma “inexcedível” durante o incêndio.
Segundo Luís Neves, foram realizadas centenas de milhares de comunicações durante a operação, tendo a Proteção Civil colocado também postos móveis para reforçar as comunicações no terreno.