Crise migratória em Ceuta leva centenas de pessoas às ruas para exigir resposta das autoridades
- 09/08/2026 15:47
- Redação
Centenas de pessoas concentraram-se este domingo na Praça da Constituição, em Ceuta, numa manifestação convocada pelas comunidades religiosas da cidade para exigir uma resposta das autoridades à crise migratória provocada pela entrada em massa de migrantes a partir de Marrocos, a 30 de julho.
A mobilização tinha sido convocada sob o lema “Basta já. Ceuta não se rende” e os organizadores apresentaram-na como uma iniciativa “cívica e pacífica”, destinada a exigir “respeito, atenção e compromisso” por parte das autoridades.
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, apoiou a concentração, mas fez questão de afastá-la de qualquer iniciativa partidária. “Não é uma concentração de ninguém, nem de nenhum partido”, afirmou, citado pelo diário espanhol, defendendo que os habitantes da cidade deveriam transmitir “uma só voz” perante a crise.
O manifesto conjunto das comunidades religiosas alerta para uma situação “extraordinariamente crítica” e reclama “uma resposta imediata, decidida e proporcionada” perante a pressão migratória, as necessidades humanitárias e as questões de segurança.
Durante a manifestação, a vice-presidente da Assembleia de Ceuta, Fátima Hamed, também citada pelo jornal, defendeu que é possível garantir uma fronteira segura sem deixar de responder às necessidades dos migrantes mais vulneráveis, nomeadamente os menores.
“Não é incompatível defender uma fronteira segura, com todos os meios necessários, com a assistência a coletivos vulneráveis, como esses meninos e meninas”, afirmou, classificando a situação como um conjunto de “dramas humanos”.
Hamed considera que Ceuta não dispõe atualmente de capacidade nem de meios suficientes para enfrentar a dimensão da crise e pediu uma maior intervenção do Governo espanhol e das instituições europeias.
A crise migratória em Ceuta está também a provocar tensão entre Espanha e Itália. O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, considerou “desproporcionada” a decisão de Madrid de restabelecer controlos fronteiriços aleatórios aos viajantes provenientes de Itália.
Tajani classificou a medida como uma “represália” pela decisão italiana de manter restrições aos viajantes provenientes de Espanha e afirmou esperar que sejam levantadas quando terminar o risco de uma nova entrada em massa em Ceuta, apontada para 15 de agosto.
O Governo espanhol, por seu lado, garante que o espaço Schengen continua a ser respeitado. A vice-presidente Sara Aagesen afirmou que “não houve nem uma pessoa que tenha atravessado e chegado à Península” no âmbito da atual crise migratória.
A concentração em Ceuta terminou com parte dos participantes a dispersar, enquanto outro grupo prosseguiu a manifestação numa marcha em direção à Delegação do Governo.