Durante algumas horas, a Volta a Portugal ajuda a esquecer os incêndios na Serra da Estrela

  • 10/08/2026 04:22
  • Redação

Quem vive no Parque Nacional da Serra da Estrela, já se habitou a ter de lidar com os incêndios de verão à porta de casa. Mas durante algumas horas, essa preocupações ficaram esquecidas para ver passar a Volta a Portugal.

A subida à Torre é paragem obrigatória no percurso da prova e a passagem do pelotão pelas vilas e aldeias é uma tradição enraizada.

O impacto no negócio não é significativo, quem lucra mais são as vilas mais perto da Torre, mas há "sempre mais trabalho porque as pessoas saem de casa e ainda vai estar uma boa gente para ver."

José Luís é fã de ciclismo. Tem sempre a televisão do restaurante ligada para ver as provas mais importante. Recorda-se de muitas passagens da Volta a Portugal à porta do restaurante.

"Eu gosto muito de ciclismo. Em 2024, até passou aqui a Volta a Espanha e foi espetacular. Há alguns anos, havia uma meta volante aqui em Tortosendo porque os industriais desta região juntavam-se. Ainda me lembro de ver aqui passar o Joaquim Agostinho", recorda.

A Volta é um escape momentâneo para a preocupação. Quase todos os anos têm de resistir a incêndios de grandes dimensões.

"É quase todos os anos que temos aqui incêndios. Alguns pensam que são fogo posto, o último grande começou às 23h30, acho que é um pouco difícil ser por causas naturais", ironiza.

O fogo não é uma chaga recente. Os avós de José Luís sofreram diretamente em 1990: "Ardeu-lhes a quinta, a casa. Foram-se todos os pertences. Eles vieram viver para aqui, mas o meu avô não se adaptou e morreu pouco tempo depois."

"Quando começam as chuvas, os incêndios já não fazem sentido na agenda mediática. Acho que se podia fazer mais na prevenção. Mais na prevenção do que no resto. Quando o fogo está a andar nestes pinhais, é difícil de o apagar", sentencia.

Mas nem tudo é mau. José Luís reconhece que quem vive no interior já se habitou a "poucos apoios", mas há alguns passos rumo a um futuro mais seguro.

"Até se tem feito alguma coisa. Aqui em Tortosendo adquiriram um carro dos bombeiros para termos uma intervenção mais rápida", conclui.

Os termómetros bateram nos 40 graus na tarde de domingo. O risco de incêndios é elevado, mas não impediu que algumas dezenas de habitantes de Tortosendo colocassem a preocupação de lado para ver passar os ciclistas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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