"Não tem nada a provar a ninguém". Depois de três anos suspenso no caso W52-FC Porto, José Neves brilha na Volta

  • 10/08/2026 04:07
  • Redação

José Neves foi um dos ciclistas suspensos no escândalo do doping na equipa W52-FC Porto. Quatro anos depois, foi uma das figuras da subida à Torre na Volta a Portugal, mas o tema da suspensão ainda é tabu.

"Não sei bem responder a essa pergunta, vamos tentar fazer o melhor possível", afirmou, remetendo para a prova.

José Neves segurou-se ao grupo de perseguição a Alexis Guerin (Anicolor-Campicarn), que dominou a etapa da Torre com um ataque a 15 quilómetros da meta.

Depois de cumpridos os três anos de suspensão, José Neves voltou à competição no fim do ano passado na equipa amadora Soma Group. Este ano, está de regresso ao pelotão profissional na GI Group Holding-Simoldes-UDO.

Outrora, José Neves foi uma das grandes promessas do ciclismo nacional e chegou a competir em algumas das melhores equipas do mundo: passou pela EF Education First e pela Burgos antes de assinar pela W52-FC Porto, onde esteve dois anos antes de ser suspenso, em 2022.

Na Torre, tentou a vitória, mas a condição física não permitiu ir além do quinto lugar: "Queríamos ganhar uma etapa, tentei a minha sorte, fiquei com o segundo grupo e tentei guardar força para o final, mas não deu."

E qual o objetivo para a classificação geral? À entrada para a quinta etapa, o contrarrelógio individual, Neves é terceiro classificado.

"Qualquer português sonha em ganhar uma Volta a Portugal, eu sonho com isso também, mas vamos dia a dia, tudo pode acontecer", aponta.

Manuel Correia é o diretor desportivo da equipa e acredita que o resultado de destaque é quase uma vitória simbólica para José Neves, que hoje assume o sobrenome Fernandes na lista de corredores.

"Eu disse-lhe que ele não tem nada a provar a ninguém, que se trabalhasse bem, com tranquilidade, iria discutir o pódio. Ele merece muito mais do que o que teve até aqui", atira.

O dirigente conhece bem José Neves. Esteve com ele no triunfo da Volta a Portugal do Futuro em 2017 que o catapultou para as equipas internacionais.

"Ele sempre teve a ambição de voltar, mas esse é um tema que não devemos abordar. Merecia muito mais da carreira, deveria ter feito carreira lá fora. Vamos ver se consegue manter a regularidade até ao fim da Volta. Mas aconteça o que acontecer, já demonstrou que cá está", explica.

"Não quero entrar por aqui, mas ele nunca testou positivo num controlo na sua vida. Isto não é assunto, por vezes acontecem coisas injustas na nossa vida", aponta.

Depois de várias épocas sem competir, José Neves já é uma figura da Volta a Portugal 2026 e vai tentar defender o lugar no pódio no contrarrelógio individual desta segunda-feira, véspera do dia de descanso.

  • Fonte: Rádio Renascença
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