Mourinho quase sucedeu a Ferguson em 2013, mas coração falou mais alto e ditou regresso ao Chelsea

Mourinho quase sucedeu a Ferguson em 2013, mas coração falou mais alto e ditou regresso ao Chelsea

  • 10/08/2026 12:25
  • Redação

A história recente do futebol europeu esteve muito próxima de ser diferente... a uma chamada telefónica de distância, se quisermos ser mais precisos: José Mourinho revela, num documentário com o seu nome, que ia suceder a Sir Alex Ferguson no Manchester United em 2013, mas mudou de ideias e optou por voltar ao Chelsea.

Entre as maiores surpresas estará, porventura, a confissão de que Mourinho, após três temporadas tumultuosas no Real Madrid, iria abandonar o Bernabéu rumo a Inglaterra, mas o destino inicial não era o clube londrino para onde fora quando abandonou o FC Porto: o treinador teria mesmo assinado com o Manchester United, confirmando a teoria de que seria o sucessor de Ferguson.

"Acho que o objetivo deste trabalho é dizermos a verdade. Quando saí do Real Madrid, assinei para ir para o Manchester United depois do Sir Alex", confirma. A informação é corroborada pelo próprio treinador britânico, que também aparece no documentário. "Foi-lhe oferecido o cargo, sim. Sentei-o e expliquei-lhe a situação. E ele ia aceitar. Passado umas horas, tudo mudou", atira Ferguson, que também ajuda a pintar o cenário do que ia na alma do treinador português. "À noite ele ligou-me a chorar e disse: 'Não posso aceitar. Dei a minha palavra ao Chelsea e não vou falhar com a minha palavra. Entendi a razão, mas fiquei desapontado", admite Sir Alex Ferguson.

Num raro momento de total honestidade, Mourinho admite que foi uma decisão tomada com o coração e não com a cabeça. "Precisava de me sentir amado", confessa, depois de uma última temporada problemática em Madrid - temporada essa que também é analisada no documentário que também conta com, pasme-se, Iker Casillas a explicar o seu lado da história.

"Perder a oportunidade de ser o treinador que sucede Sir Alex Ferguson foi dramático. Mas não me arrependo, porque foi uma decisão que tomei com o coração. E acho que é o Nietzsche que diz que, quando fazemos algo por amor, nunca podemos fazer nada de errado... Acho que é a natureza. Eu fi-lo por amor", admite.

Para voltar a Stamford Bridge, no entanto, teve de enfrentar outro desafio igualmente emocional: regressar ao clube de Roman Abramovich, com quem se incompatibilizara anos antes. A extensão da desavença fica a descoberto no documentário, com Mourinho a não se poupar nas palavras contra o oligarca russo.

"O futebol pertence a pessoas como eu. Os outros são intrusos que não pertencem. O futebol pertence aos jogadores, aos treinadores, aos fãs. O futebol sempre nos pertencerá", reitera, criticando quem faz negócio com o desporto e partilhando detalhes curiosos sobre os últimos momentos de entendimento entre dono do clube e treinador e sobre a sua sede de "vingança" quando já treinava o Inter e teve de defrontar a velha equipa.

"Para ser sincero, joguei contra o Roman naquela partida. Aquele jogo, para mim, foi beleza pura. Joguei contra o homem que me despediu. Foi um prazer", admite, garantindo que "precisava de vingança". "Não estava a jogar contra o Chelsea. Estava a jogar contra ele", assegura, aludindo, antes disso, a todas as decisões que teve de tomar para agradar ao antigo patrão.

Antes da ruptura, outro momento caricato foi revelado para provar que o chefe "tinha mudado". "Um dia, chegam à minha beira e dizem-me: 'O chefe está na Sardenha com o seu barco e os que lá trabalham estão a jogar futebol contra os funcionários de um hotel e estão a perder. Podes ir lá e ganhar o jogo para ele?'. E eu disse: 'Não. Tenho treino hoje e tenho de me preparar para amanhã. Não posso ir'. E ele não ficou feliz com isso", conta Mourinho.

  • Fonte: Rádio Renascença
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