Dois anos depois do ouro olímpico, ainda não arrancaram as obras no velódromo de Sangalhos
- 11/08/2026 08:30
- Redação
Ainda chove no interior do velódromo de Sangalhos, casa do ciclismo de pista que conquistou duas medalhas olímpicas nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.
Na segunda-feira, cumpriram-se dois anos da medalha de ouro no madison, conquistada por Iúri Leitão e Rui Oliveira. Nesse mesmo dia, o contrarrelógio da Volta a Porugal partiu precisamente do velódromo de Sangalhos, em Anadia.
O espaço é a encubadora do talento no ciclismo de pista, que para lá do ouro no madison, trouxe ainda a medalha de prata de Iúri Leitão no omnium.
O "sprinter" da Caja Rural não está a competir na Volta a Portugal, mas esteve no velódromo para assinalar a data redonda com o seu colega de seleção e acredita que serão cumpridas as promessas que foram feitas.
"Sendo 100% sincero, não estou por dentro das questões porque não tenho vindo aqui muitas vezes, tenho estado mais virado para a estrada e agora vamos recomeçar a preparação para o Mundial, mas sei que foi feita uma promessa e acredito que se cumprirá, mais dia, menos dia. O velódromo precisa, merece e nós também. Se queremos continuar a ter uma seleção competente, precisamos das condições e acho que, mais dia menos dia, isto estará como devia estar", diz Iúri Leitão.
Para conversar com Iúri, os adeptos acumulam-se em frente ao autocarro da UAE Team Emirates. Chegam a esperar meia hora para que o ciclista termine de assinalar a data com Rui Oliveira.
"Já tinha algumas pessoas à minha esper, agora tantas e a esperar meia hora, talvez não", reconhece, entre risos.
A vida de Iúri Leitão não mudou muito. É mais reconhecido na rua, mas "a vida segue igual."
"Há mais por conquistar, tenho a mesma ambição, só mudou isso e fico feliz, mas de resto, não mudou grande coisa", acrescenta.
Iúri Leitão tem 28 anos e é já um dos atletas olímpicos mais consagrados da história do país, mas deixa esse balanço para o fim da carreira: "Quando me reformar, terei tempo para pensar nisso. Mais tarde vou refletir, mas agora quero focar-me no que ainda vem."
O velocista está prestes a terminar a época na estrada com três vitórias e vai começar a preparar o Mundial de pista.
Mas, esta segunda-feira, o dia foi de relembrar a semana de glória em Paris, que nem começou bem: "Tive uma queda grave três semanas antes e fiquei com o dedo mal tratado, foi um momento de muita incerteza, havia muita tensão na preparação."
Quando os dois colegas de seleção aterraram em Paris, a cabeça nem estava nas medalhas.
"Estavámos tão entusiasmados só por estar lá, era o cumprir de um sonho. Nós partilhámos o quarto e estávamos mesmo genuinamente felizes por lá estar. Nem pensávamos nas medalhas, queríamos desfrutar todo aqueles processo de estar na aldeia olímpica, aquela semana única porque nunca sabemos se é irrepetível", atira.
A prata de Iúri Leitão entusiasmou e deu fé: o ouro era possível no madison com Rui Oliveira.
"Foi muito difícil dormir no dia da prata, estavámos os dois eufóricos. A hora de dormir veio e o coração estava a mil, tínhamos de estar a 100% focados no madison, senti que tínhamos nível para discutir uma medalha porque já fiquei com noção do nível da competição e concluímos daquela forma com o ouro, ultrapassar todos a nove voltas do fim e a ganhar o sprint. Foi muito especial", conclui.
Iúri não sabe se a partida da etapa da Volta do velódromo no dia em que se cumprem dois anos da medalha foi uma coincidência, mas isso não importa. Está feliz por se reencontrar com Rui para festejar a data.
"É muito bom estar aqui, só me apercebi há dois dias que o crono era aqui e neste dia. Até achei que era o dia de descanso. Fiquei muito feliz quando percebi que sai do nosso velódromo, temos de festejar", conclui.
O professor Gabriel Mendes é a mente por trás do ciclismo de pista português. Não esconde o orgulho de festejar a data simbólica: "A cada ano é um motivo de orgulho festejar esta data, que ficará eternamente no desporto e não vamos esquecer."
Faltam dois anos para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Ainda é cedo para pensar em medalhas?
"O que nos preocupa é melhorar a competitiviade, sermos competentes e conseguir a qualificação, que acho que está ao nosso alcance. Depois, vamos lutar pelo melhor resultado. Uma medalha seria excelente, mas o processo é muito exigente e temos de nos focar no trabalho. É hora do trabalho", conclui.