“Não têm consciência do perigo”: ex-deputada espanhola perdeu 90% da visão após olhar para eclipse em criança
- 11/08/2026 13:42
- Redação
“Tenho medo de ver que as pessoas vão observar o eclipse com crianças e tudo. Não têm consciência do perigo que representa”, diz Mercedes López Romero.
As lesões remontam à infância, quando Mercedes estava com outras crianças no pátio da escola, na localidade de Dalías, em Almería. O grupo escondeu-se dos adultos, que observavam o eclipse à distância e com proteção, e decidiu fazer uma competição para perceber quem conseguia manter os olhos fixos no Sol durante mais tempo.
“Começámos a dizer para ver quem era capaz de aguentar mais”, conta Mercedes López Romero. A irmã, dois anos mais nova, e as restantes crianças desviaram o olhar mais cedo e não sofreram as mesmas lesões.
Os efeitos não foram imediatos. Aos 14 anos, Mercedes começou a ter dificuldades em distinguir alguns números no quadro da escola e consultou pela primeira vez um oftalmologista. O médico identificou queimaduras e perguntou-lhe se tinha mantido os olhos voltados para cima durante um período prolongado.
A perda de visão tornou-se progressiva e continua a agravar-se. Mercedes sofre também de hipersensibilidade à luz, usa óculos de sol quase permanentemente, incluindo em espaços interiores, e só consegue utilizar a televisão e o telemóvel sem brilho nem contraste.
“Vejo como se houvesse sempre muito nevoeiro e já não distingo as cores, confundo-as constantemente”, explica Mercedes.
As lesões atingiram o tecido nervoso na mácula e, segundo relatou, não podem ser corrigidas através de cirurgia.