Eclipse total do Sol. Bragança prepara-se para receber milhares de pessoas para um fenómeno "a não perder"
- 12/08/2026 02:00
- Redação
Depois de mais de um século, Portugal prepara-se para assistir a um dos fenómenos astronómicos mais raros das últimas gerações. Na tarde de 12 de agosto, o eclipse total do Sol será visível numa estreita faixa do nordeste transmontano, transformando o dia em noite durante cerca de 26 segundos. Fora dessa faixa, o eclipse será parcial, mas superior a 90% em praticamente todo o território continental.
Em Bragança, onde a ocultação do disco solar rondará os 99,8% a 99,9%, está previsto um programa de atividades para acompanhar o fenómeno. A partir das 16h00, o Centro Ciência Viva de Bragança convida o público a voltar os olhos para o céu, com oficinas, workshops, palestras e sessões de observação orientadas por especialistas.
A responsável adianta que o programa não termina com o eclipse. "Depois do fenómeno do eclipse haverá a noite, e vamos ter também uma noite de pico da chuva de meteoros", refere, acrescentando que será igualmente promovida uma sessão de observação das Perseidas.
A faixa de totalidade atravessa a zona entre Rio de Onor e Guadramil, no Parque Natural de Montesinho. No entanto, devido ao risco de incêndio rural, a observação organizada foi transferida para o aeródromo de Bragança.
"O melhor local para ver o eclipse total é uma zona muito limitada entre Rio de Onor e Guadramil. Só que, devido ao risco de incêndio rural, a Câmara Municipal decidiu que não havia condições de segurança para ser realizado nesse local", explica Clotilde Nogueira.
Apesar disso, sublinha que Bragança continua a ser o melhor local do país para acompanhar o fenómeno. "A cidade de Bragança é a cidade no país em que a percentagem da ocultação do disco solar é maior. No aeródromo vamos ver entre 99,8% e 99,9%."
Segundo a diretora executiva do Centro Ciência Viva, há capacidade para receber os visitantes que se desloquem à cidade. "O aeródromo é bastante grande e a área destinada ao local de observação também, por isso pensamos que conseguimos acolher quem queira vir até Bragança."
Clotilde Nogueira lembra que este será um acontecimento irrepetível para a maioria da população.
"Um eclipse com uma percentagem de ocultação tão grande já não se via há muitos anos. O último eclipse total foi em 1912. É um fenómeno que esta geração é a única oportunidade que vai ter para ver um eclipse do Sol tão profundo."
Embora apenas uma pequena faixa do distrito de Bragança assista à totalidade, a responsável salienta que vale a pena observar o eclipse em qualquer ponto do país.
"Esteja em que ponto do país estiver, é um fenómeno a não perder. Será memorável, com certeza."
A observação do eclipse exige cuidados especiais. A diretora executiva do Centro Ciência Viva recorda que nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada.
"Nem os óculos de sol nos protegem", alerta, recomendando apenas a utilização de óculos certificados para observação de eclipses.
Clotilde Nogueira esclarece ainda que os óculos não devem ser utilizados continuamente durante as mais de duas horas de duração do fenómeno.
"O objetivo não é estar as duas horas com os óculos postos. Deve fazer-se observações de cerca de dez segundos, parar alguns minutos e depois voltar a observar."
Esta utilização intermitente permite também partilhar os óculos entre várias pessoas, uma solução importante numa altura em que muitos têm dificuldade em encontrar equipamento certificado.
"Não é preciso que cada português tenha um par de óculos, porque podem ser partilhados. Enquanto uma pessoa descansa da observação, outra pode utilizá-los em segurança", conclui.