"20 milhões é excessivo para o risco": as virtudes e o grande problema de Harwood-Bellis, alvo do Benfica

"20 milhões é excessivo para o risco": as virtudes e o grande problema de Harwood-Bellis, alvo do Benfica

  • 12/08/2026 07:45
  • Redação

Com a saída de António Silva, continua por preencher a vaga de central no plantel do Benfica. A imprensa desportiva aponta para Taylor Harwood-Bellis, um central, de 24 anos, do Southampton, formado no Manchester City.

Para saber quem é este futebolista, Bola Branca contactou Bruno Reis, um scout com larga experiência em Inglaterra e que até se cruzou com o alegado alvo do Benfica no Blackburn Rovers, em 2020/21. Harwood-Bellis estava emprestado pelo Manchester City (chegou a ser chamado à primeira equipa por Pep Guardiola).

“É um jogador jovem, muito promissor na altura em que saiu das camadas jovens do Manchester City. Estive com ele no Blackburn, foi emprestado na segunda metade da época, foi para lá dois ou três dias depois de fazer 19 anos. Rapidamente se afirmou, jogou praticamente todos os 90 minutos”, contextualiza este scout.

Taylor Harwood-Bellis, para quem a temporada já começou – titular Colchester 0-2 Southampton para a Taça da Liga –, até foi emprestado ao Anderlecht de Vicent Kompany depois dessa experiência no Blackburn Rovers. Mas como joga, afinal, este defesa central?

“Joga mais pela direita, claramente é um central na linha do Tomás Araújo”, revela Reis. Muita qualidade na construção, ligação de jogo. Destaco particularmente um passe específico que ele faz muito bem, um passe de rutura, para a velocidade do extremo-direito, aquele passe entre central e lateral. Ele faz isso muito bem.”

E acrescenta: “Tendo em conta que o Rafa tem jogado pela direita, esse espaço pode ser muito bem explorado. Consegue meter essa bola rasteira, muito vertical, com muita qualidade. Pode manter a bitola caso o Tomás não possa jogar. Acho que vai conseguir manter a bitola, noutras características é que se calhar não tanto…”

Segundo Bruno Reis, o central inglês tem maturidade e fortes traços de liderança, comprovados pelo passado como capitão em seleções jovens ou noutros clubes. Mas a abordagem defensiva no jogo tem debilidades.

“No lado físico do jogo, no duelo, não é o jogador mais agressivo ou mais intenso”, sentencia o scout que viu o inglês de perto. “Pelo contrário, aliás, é algo macio nos duelos. Nas bolas em profundidade, por exemplo, se o adversário der um encosto nele, facilmente perde a posição, não deveria perdê-la tão facilmente, tendo em conta que é um central, às vezes a disputar a bola com jogadores mais leves do que ele. Temo que possa ser um jogador que vá cometer alguns erros…”

Este profissional do futebol, com experiências noutros clubes ingleses como Bolton e Newcastle, olha com desconfiança para o preço que está a ser associado ao central do Southampton: 20 milhões de euros.

“Parece-me um bocadinho inflacionado. Ele pode encaixar bem em alguns tipos de futebol, tenho algumas dificuldades para o ver a ter um rendimento que seja memorável numa equipa como o Benfica”, avisa.

É que essas debilidades, no lado defensivo do seu jogo, na falta de agressividade, “vão notar-se”, acabará por perder lances que vão resultar em oportunidades para o adversário ou golos. É certo que é “ágil no espaço curto e bom no 1x1”, mas não é um defesa rápido e sofre quando as distâncias crescem.

“Depois, para se proteger disso, até tem a tendência de recuar mais rápido, pode comprometer a linha defensiva do Benfica em momentos de pressão mais alta. Receio que seja um jogador que acabará por cometer alguns erros, 20 milhões parece-me excessivo para o risco.”

  • Fonte: Rádio Renascença
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