Livros destruídos após alimentarem IA? Livreiro neerlandês chocado com pedido "invulgar"
- 12/08/2026 15:49
- Redação
Pieter de Vries recebeu o email num dia de verão em Haarlem, nos Países Baixos. Uma mulher chamada Natalia, que se apresentou como representante da 2077AI, procurava milhares de livros e enviou uma folha de cálculo com 3.001 ISBN (número internacional que identifica uma edição específica de um livro), pedindo preços e custos de envio para a China.
Habituado a vender livros antigos e raros, normalmente um exemplar de cada vez, De Vries pensou que se pudesse tratar de fraude. Só semanas depois, através de um jornalista neerlandês, soube da possível relação do pedido com inteligência artificial.
A lista incluía sobretudo livros académicos publicados em 2020 e 2021, nas áreas dos negócios, educação, engenharia, políticas públicas e medicina. O email não explicava a finalidade da compra nem mencionava inteligência artificial.
Ora, nos últimos meses, documentos judiciais revelaram anteriormente que a Anthropic comprou milhões de livros físicos para criar uma biblioteca digital destinada ao treino dos seus modelos. Os exemplares eram desencadernados, digitalizados e posteriormente descartados, num processo conhecido como digitalização destrutiva.
A "Fortune" tentou esclarecer junto da 2077AI se os 3.001 livros seriam destinados ao treino de inteligência artificial. A empresa não respondeu.