"Se um ciclista atirar lixo para o chão, será expulso": como a Volta a Portugal passará no Gerês
- 13/08/2026 04:44
- Redação
A Volta a Portugal vai mesmo passar na Mata de Albergaria, no Gerês, esta quinta-feira, apesar dos protestos das associações ambientalistas. Ezequiel Mosquera, organizador da prova, garante que é o "oposto de atrevimento", que o impacto será minimizado ao máximo e que a tolerância será zero para quem não cumprir com as medidas impostas.
"Queremos dizer que vamos passar por lá para ajudar a reinvindicar, não como atrevimento. O que mais nos doeria como organização – mais do que um parecer negativo para passar ali – seria ficar a ideia de que vamos passar como atrevimento. É ao contrário", defende.
O galego garante que "serão infinitamente menos carros dos que passam ali no verão, temos esses registos".
"Não vamos ter buzinas, um arranque de uma mota. Passaremos a mensagem de que é uma jóia que é preciso respeitar", afirma.
A Vila do Gerês será palco de uma manifestação, a partir das 13h30, devido à passagem da prova pela zona protegida na Mata da Albergaria.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) autorizou o percurso, com fortes condicionantes, o que agradou a associação ZERO, mas não à Quercus, que defende que a decisão abre "um grave precedente".
Está marcado um protesto para esta segunda-feira, na vila do Gerês, por onde o pelotão passará duas vezes, e onde acaba a etapa.
A organização não concorda com a crítica apontada: "Todas as grandes voltas passam por parques naturais, eu entendo a sensibilidade de quem defende esse património, estamos perfeitamente alinhados com ele. Não queremos um precedente, queremos interpretar a Volta a Portugal como uma forma de promoção do território".
"É uma plataforma de defesa do património. Chegamos a este ponto em que se falou tanto, acho que até é bom para a mata. Muita gente não conhecia a delicadeza daquele sítio que tem a singularidade de ter uma estrada com via romana que liga dois países. É uma estrada lindíssima e devemos promover o acesso de bicicleta", atira Ezequiel Mosquera.
De acordo com a organização, apenas 30 carros vão acompanhar o pelotão, que é composto por mais de 100 ciclistas.
"Abdicamos de quase tudo. Não teremos o helicóptero, nem sequer foi equacionado, a caravana publicitária não passa e com a corrida serão os mínimos. As condiconantes para os ciclistas é algo nunca visto. O ciclista que pare para fazer necessidades fisiológicas ali, é expulso. Se atira lixo, é expulso. Não estamos a brincar", garante.
O controlo será apertado e a organização vai voltar a conversar com as equipas na manhã da etapa para garantir que todos estão cientes das regras.
"Vamos ter uma reunião com eles antes da partida para dizer-lhes: senhores, temos de dar o exemplo. Não é brincadeira, temos de ser exemplares. A UCI já é cada vez mais restritiva em relação ao ambiente, o ciclismo é precisamente mobilidade sustentável. Depois da fronteira, voltamos à normalidade, até ali é preciso ser 100% respeitosos", pede.
Num comunicado enviado pela organização à imprensa e às equipas, definiram-se as regras para a passagem do pelotão pela zona protegida, sendo que todos os membros da caravana que não cumpram podem ser expulsos.