Quando é que se educa? E como?
- 13/08/2026 04:19
- Redação
O país viveu recentemente mais um momento marcante de avaliação dos seus jovens. Entre expectativas, resultados, revisões e decisões que suscitaram debate público, foram muitos os alunos e famílias que acompanharam este processo com ansiedade e esperança. Médias que ficaram aquém do desejado, lágrimas de pais e filhos, sonhos adiados e oportunidades perdidas. Será isso que fica de um ano letivo? De meses de esforço e aprendizagem? De tanto investimento na educação?
A educação não está bem. É o que dizem as universidades do secundário, o secundário do preparatório, este da escola primária, aquela da creche e a creche dos pais. E os pais dizem que a escola não presta. Ou talvez a culpa seja dos media. Sempre há um outro que é responsável pelas falhas da educação. Que não prepara os jovens adequadamente. Que não estimula o desenvolvimento.
Talvez seja isso mesmo o grande erro da educação. Os pais não ensinam só quando ajudam nos trabalhos de casa, quando explicam as coisas e quando levam os filhos ao museu. Os pais educam sempre: quando se levantam mal-humorados, quando gritam com o vizinho, quando pegam no telemóvel em vez de partilhar o olhar com o filho. Educam com o que fazem e não fazem, dizem e não dizem. E os filhos são bons alunos: às vezes fazem o mesmo, outras vezes o contrário e – com o passar dos tempos – substituem os pais pelos pares. Nunca deixam de apreender.
As escolas não ensinam só na sala de aulas. Nos recreios acontecem as competições que realmente marcam. A nota injusta é uma lição mais profunda do que uma tarde de explicações. E a desconfiança de todos na escola e nos professores é o húmus mais fértil da ignorância. “Passe a minha filha”, dizia uma mãe no fim do secundário ao professor, “ela não quer fazer nada especial - só ser professora”. Reprovou.
E mais: a sociedade ensina todos os dias e todo o dia. No trabalho, no trânsito, no ginásio e nas compras, ao jantar e através de mil e um ecrãs nas mãos e perante os olhos dos grandes e dos pequenos. Será um sucesso de educação, ter os filhos calados à mesa do restaurante com o telemóvel a oferecer o entretenimento incessante?
A sociedade ensina o que valoriza: crianças caladas, satisfações imediatas, bem-estar económico. Cuidar do ambiente? Cuidar do outro? Quem leciona estas vontades e estas ambições?
Não nos podemos demitir da educação. Estamos sempre a ensinar. Enche-se a alma de quem educa quando se vê que a criança não confunde a média do exame com a aprendizagem. Que não teima pelo sucesso, mas procura a compreensão.
São muito simples os ingredientes de uma educação integral em que se aprende como as pessoas, as coisas e o mundo estão interligados e interdependentes. Educar significa estar presente para poder partilhar. Reconhecer a relação com o mundo à volta e com os que precisam de nós. Mais do que quem fala, educa quem escuta. A presença, a relação e a escuta são as chaves de tudo quando se educa.