Se querem destituir Infantino, "vão a eleições": o aviso do vice Patrice Motsepe

Se querem destituir Infantino, "vão a eleições": o aviso do vice Patrice Motsepe

  • 13/08/2026 08:08
  • Redação

Depois de um Mundial polémico, um jornal britânico destapou o plano de Gianni Infantino, presidente da FIFA, para privatizar parte dos direitos do Campeonato do Mundo.

A notícia caiu como uma bomba no universo futeboleiro. Seguiram-se reações, ataques e poucas defesas, comunicados, contagens de espingardas – entretanto Qatar, Marrocos, Egito, Líbano, Sudão e Mauritânia anunciaram apoio, Irlanda retirou apoio, segundo a Reuters –, ameaças, boicotes e pressões para a saída do executivo que era conhecido por ser o homem dos sorteios na UEFA.

Infantino recuou e a FIFA pediu desculpa e denunciou uma suposta campanha para minar o papel do dirigente ítalo-suíço. Mas a pressão continua e, finalmente, surge alguém próximo de Infantino a falar publicamente. Trata-se de Patrice Motsepe, vice-presidente da FIFA, que defende que devem ser as 211 associações a decidir o fado de Infantino.

Ou seja, “se o querem destituir, vão a eleições. Deixem as 211 associações decidirem. Façam isso e o voto vai revelar se têm confiança nele ou não”.

Esta entrevista de Patrice Motsepe, a primeira de um vice-presidente da FIFA após o escândalo, surge dois dias depois de Donald Trump apoiar Infantino, defendendo que seria “um erro terrível” se considerassem substituir Infantino.

Esta intervenção pública de Motsepe acontece quatro dias depois da carta aberta dos presidentes de UEFA, Concacaf e AFC, anunciando que a quebra de confiança no dirigente deu-se “através do engano”, denunciando ainda que o homem se colocou acima do coletivo.

“Têm de ter muito cuidado. Há eleições no próximo ano. Não deveríamos permitir que o processo continue? E deixar os 211 membros decidirem.”

Em maio de 2015, Joseph Blatter foi reeleito para um quinto mandato, mas pouco depois saiu devido a um escândalo de corrupção. O suíço ganhou as eleições contra o príncipe jordano Ali bin al-Hussein, que agora acusou Gianni Infantino de chantagem. Lutaram ambos por suceder a Blatter.

Na altura, antes da vitória de Infantino nas eleições de fevereiro de 2016 (à segunda volta), o escolhido para presidente interino da FIFA foi Issa Hayatou, líder da confederação africana, que chefiou o organismo que rege o futebol mundial durante 141 dias.

No dia 26 de fevereiro, o poliglota e profissional dos bastidores Gianni Infantino, então com 45 anos, foi finalmente eleito presidente da FIFA. Os adeptos do futebol estavam familiarizados com o seu rosto, pois era o anfitrião nos sorteios das competições europeias.

O advogado era então secretário-geral da UEFA, cargo para o qual entrou em 2009. O ítalo-suíço só correu à presidência da FIFA porque Michel Platini, na altura o presidente da UEFA, estava impedido de o fazer por suspeitas de corrupção.

O plano B avançou então… e ganhou. Na primeira volta, os seus 88 votos superaram os 85 do xeque Salman bin Ebrahim al-Khalifa, do Bahrein, supostamente o favorito. Já o príncipe Al bin al-Hussein da Jordânia recebeu apenas 27 votos e o francês Jérôme Champagne, sete.

Na segunda volta e depois dos votos de 115 das 207 federações nacionais elegíveis, Infantino tornou-se no nono presidente da FIFA, uma entidade que ali contava com 112 anos de vida.

“O futebol e a FIFA passaram por momentos tristes, de crise, mas esses tempos acabaram”, anunciou Infantino no primeiro discurso como presidente-eleito.

“Temos de implementar reformas, melhorar a administração e a transparência”. Depois, numa curta conferência de imprensa, veio a frase e o desejo que agora soam a ironia. “Devolver o futebol à FIFA e a FIFA ao futebol”.

E disse mais: “Vamos recuperar a imagem da FIFA. Vão ficar orgulhosos do que vamos fazer pelo futebol”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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