Exército israelita entra em casas de famílias palestinianas cercadas por colonos na Cisjordânia

Exército israelita entra em casas de famílias palestinianas cercadas por colonos na Cisjordânia

  • 13/08/2026 08:52
  • Redação

Militares israelitas ocuparam posições dentro de casas palestinianas na aldeia de Qusra, na Cisjordânia, depois de famílias da região terem sido cercadas durante vários dias por colonos israelitas, segundo o presidente da autarquia local, citado pela Reuters.

O cerco começou no fim de semana, quando colonos israelitas bloquearam a estrada de acesso a três casas e instalaram uma tenda nos respetivos terrenos, impedindo os moradores de entrar ou sair. Antes disso, tinham cortado o fornecimento de água e eletricidade.

O presidente da câmara de Qusra, Abed Al Athem Wadi, afirmou que seis casas da aldeia foram evacuadas e ocupadas por militares israelitas, incluindo as três habitações que estavam cercadas. As duas famílias que permaneciam na zona foram concentradas numa das casas.

Fotografias obtidas pela Reuters mostram vários militares israelitas junto a uma das habitações. Segundo residentes, os soldados informaram as famílias de que a operação em Qusra poderia prolongar-se até domingo.

As Forças Armadas israelitas afirmaram que os militares foram destacados para Qusra na quinta-feira de manhã com o objetivo de proteger os residentes e manter a segurança. Acrescentaram que os soldados receberam instruções para garantir que os habitantes permanecessem nas suas casas.

O Exército disse ainda que não iria atuar dentro de uma das casas palestinianas localizada junto ao local onde a tenda, entretanto retirada e desmontada, tinha sido instalada. Não ficou imediatamente claro a que uma das três casas se referia o comunicado.

Na quarta-feira, militares israelitas tinham utilizado gás lacrimogéneo numa tentativa falhada de retirar os colonos. No dia seguinte, o Exército anunciou o envio de mais tropas para realizar patrulhas e missões de defesa na área.

De acordo com a Reuters, as Nações Unidas afirmaram que cerca de 15 palestinianos, incluindo duas crianças, estavam presos dentro das suas casas, numa situação de “terror”, sem possibilidade de satisfazer necessidades básicas e sem acesso a água ou eletricidade.

Imagens divulgadas durante a semana mostraram vários homens israelitas vestidos com roupa militar a juntarem-se aos colonos numa oração matinal junto à tenda. O Exército israelita afirmou que está a tomar medidas disciplinares contra os militares que tenham estado envolvidos.

As duas famílias cercadas dizem estar sem comida e medicamentos e acusam os colonos de danificar propriedades, atirar pedras contra as casas e proferir insultos.

“Apelamos às instituições governamentais e a todas as pessoas livres e honradas para que nos ajudem a garantir comida e medicamentos”, afirmou Qusay Abu Reeda, um dos palestinianos retidos numa das habitações.

A casa pertence ao irmão de Abu Reeda, que vive no estado norte-americano do Ohio e tem cidadania dos Estados Unidos. O palestiniano confirmou que as duas famílias estão concentradas numa das três casas.

O embaixador norte-americano em Israel, Mike Huckabee, afirmou que o Exército e a polícia israelitas se deslocaram ao local, a pedido dos Estados Unidos, para retirar os colonos que descreveu como “terroristas israelitas”. Considerou ainda “criminais” as ações daqueles que cercaram a casa da família.

Os palestinianos acusam as autoridades israelitas de permitirem que colonos se apropriem de terras e recursos na Cisjordânia sem consequências, incluindo em zonas onde os proprietários possuem documentos de propriedade emitidos por Israel.

Os casos de apropriação de terras por colonos são particularmente frequentes nas zonas periféricas das aldeias, como Qusra, que se encontra numa área sob controlo de segurança israelita total.

A Cisjordânia foi ocupada por Israel na guerra do Médio Oriente de 1967. O território é atualmente habitado por cerca de três milhões de palestinianos e 500 mil colonos israelitas. Segundo a organização israelita Peace Now, existem na Cisjordânia cerca de 146 colonatos e 390 pequenos postos avançados.

  • Fonte: Rádio Renascença
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