Reclamações sobre entregas disparam 97,8%. Empresas resolvem apenas uma em cada três queixas
- 13/08/2026 10:21
- Redação
As reclamações relacionadas com Correio Expresso, Last Mile e Entregas Programadas quase duplicaram no primeiro semestre de 2026, registando uma subida de 97,8% face ao mesmo período do ano passado.
Os dados constam da análise semestral do Portal da Queixa, que revela também uma descida significativa na capacidade de resposta das empresas. A taxa de resolução das reclamações passou de 45% para 34%, o que significa que apenas cerca de uma em cada três queixas foi dada como resolvida.
O aumento das reclamações relacionadas com entregas surge apesar de o número global de queixas ter crescido apenas 1,61% nos primeiros seis meses do ano. Os dados apontam para uma maior concentração das insatisfações em problemas relacionados com a prestação do serviço, entregas e pós-venda.
A falha ou má qualidade do serviço manteve-se como a principal razão para as reclamações, passando de 14,95% para 16,94%.
A falha na entrega surge em segundo lugar, representando 11,99% do total de queixas.
Também aumentaram as reclamações relacionadas com devoluções ou reembolsos não efetuados, de 3,91% para 4,53%, e com produtos danificados ou defeituosos, de 4,15% para 4,60%.
A categoria Correio, Transporte e Logística foi, aliás, a que concentrou mais reclamações no primeiro semestre, com 11,76% do total.
Seguiram-se Comunicações, TV e Media, com 8,79%, e Informática, Tecnologia e Som, com 6,96%. Serviços e Administração Pública e Compras, Moda e Joalharia representaram 6,67% e 6,66%, respetivamente.
Entre as marcas, a Worten concentrou a maior percentagem de reclamações, com 3,29%, seguida por MEO, Galp, NOS e CTT Expresso.
O crescimento global das reclamações foi moderado, mas esconde diferenças significativas entre setores.
As queixas relacionadas com Eletricidade e Gás aumentaram 56,91%, enquanto Automóveis, Motas e Bicicletas registaram uma subida de 48,17%. A categoria Animais cresceu 41,74% e Mobiliário, Decoração e Eletrodomésticos aumentou 41,05%.
Em sentido contrário, Serviços e Administração Pública registou uma redução de 24,11%, Gastronomia, Alimentação e Bebidas caiu 14,81% e Comunicações, TV e Media recuou 13,10%.
Entre as subcategorias com volume significativo, destacou-se Utilidades para o Lar, com um aumento de 411,6%, sobretudo devido a casos relacionados com lojas falsas e burlas online.
As Lojas de Desporto — Comércio Online registaram uma subida de 108,5%, associada a problemas relacionados com compras ligadas ao Mundial de Futebol de 2026. Os Concessionários Automóveis tiveram um crescimento de 98,6%.
O fundador do Portal da Queixa, Pedro Lourenço, citado em comunicado, considera preocupante a evolução registada nas reclamações relacionadas com entregas.
“Os resultados do primeiro semestre mostram que, apesar do crescimento global das reclamações ter sido moderado, há sinais de agravamento em momentos críticos da experiência do consumidor.”
O responsável destaca em particular “o aumento de 97,8% das reclamações sobre entregas, acompanhado pela queda da taxa de resolução para 34%”, considerando esta evolução “particularmente preocupante”.
Para Pedro Lourenço, os dados demonstram que “a experiência de consumo não termina na compra”, uma vez que a entrega, o pós-venda e a capacidade de resolver problemas têm um papel determinante na confiança dos consumidores.
“Para as empresas, melhorar a resposta e a resolução deve ser uma prioridade para evitar a perda de confiança dos consumidores”, defende.
As mulheres representaram 50,58% das reclamações submetidas no primeiro semestre, enquanto os homens foram responsáveis por 49,42%.
A faixa etária entre os 35 e os 44 anos foi a mais representada, com 26,66%, e a idade média dos utilizadores foi de 42 anos.
O Portal da Queixa identificou ainda diferenças entre homens e mulheres em determinadas categorias. Entre os 18 e os 24 anos, por exemplo, Casinos e Casas de Apostas representaram 7,48% das reclamações dos homens, contra 1,61% das mulheres.
Na categoria Informática, Tecnologia e Som, a proporção foi de 10,21% entre os homens e 4,54% entre as mulheres. Já em Beleza, Estética e Bem-Estar, as mulheres representaram 9,92% das reclamações, contra 3,06% dos homens.
No primeiro semestre, “encomenda” foi a palavra mais utilizada nas reclamações, seguida de “aplicação”, “internet”, “seguro” e “televisão”.
O utilizador mais ativo apresentou 77 reclamações, enquanto as 11h00 foi o horário em que se registou a maior concentração de queixas.