Julho foi o mês mais mortífero para civis na Ucrânia em mais de quatro anos
- 13/08/2026 11:08
- Redação
A Ucrânia registou em julho o maior número mensal de vítimas civis desde março de 2022, de acordo com a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas (HRMMU).
Pelo menos 437 civis foram mortos e 2.610 ficaram feridos durante o mês, num total de 3.047 vítimas. Segundo os dados divulgados esta quinta-feira, o número representa um aumento de 30% face a junho e de 70% em comparação com julho de 2025.
O número de mortos foi o mais elevado desde maio de 2022, enquanto o número de crianças vítimas da violência atingiu o nível mais alto desde abril de 2022. A ONU ressalva que o balanço poderá aumentar, uma vez que continuam os esforços para verificar as informações.
Segundo a responsável, o número de vítimas registado em julho foi “o mais alto que documentámos num único mês desde março de 2022”.
Nos primeiros sete meses de 2026, a ONU verificou 12.477 vítimas civis, incluindo 1.839 mortos e 10.638 feridos.
O número representa um aumento de 44% face ao mesmo período de 2025, quando tinham sido registados 1.434 mortos e 7.216 feridos.
Em comparação com os primeiros sete meses de 2024, o número de vítimas é mais do dobro.
Também na Federação Russa as autoridades comunicaram um aumento das vítimas civis em julho. Segundo os números apresentados pelas autoridades russas, 79 civis morreram e 601 ficaram feridos durante o mês.
A Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU, contudo, não conseguiu verificar independentemente estes números, devido à falta de acesso ao território e à informação disponível.
Kiev foi uma das cidades ucranianas mais afetadas em julho, com pelo menos 54 civis mortos e 202 feridos.
A ONU atribui este agravamento ao aumento significativo do recurso, por parte das forças russas, a mísseis balísticos e de cruzeiro.
A Rússia lançou pelo menos 429 mísseis durante julho, mais do dobro dos utilizados em junho, tendo muitos atingido a capital ucraniana.
O ataque mais mortífero ocorreu a 2 de julho, quando um ataque russo com 74 mísseis e quase 500 drones de longo alcance atingiu sobretudo Kiev. Pelo menos 30 civis morreram e 104 ficaram feridos.
As armas de longo alcance, incluindo mísseis e drones, continuaram a ser a principal causa de vítimas civis em julho, representando 38% do total: 183 mortos e 967 feridos.
Os bombardeamentos aéreos provocaram 105 mortos e 753 feridos, um aumento de 143% face a junho. As bombas planadoras tornaram-se a segunda principal causa de vítimas civis.
Já os drones de curto alcance utilizados nas proximidades da linha da frente foram responsáveis por 27% das vítimas, com 111 mortos e 710 feridos.
Apesar de vários ataques de grande dimensão terem contribuído para o aumento do número de vítimas, a ONU salienta que os ataques diários de menor intensidade, registados em diferentes regiões, também tiveram um peso significativo no balanço de julho.
“Os civis estão a enfrentar riscos acrescidos devido ao aumento do uso de mísseis e drones nos centros urbanos, de bombas planadoras nas cidades próximas da linha da frente e de drones de curto alcance”, afirmou Danielle Bell.
“Juntos, estes ataques estão a aumentar o número de vítimas civis em diferentes regiões da Ucrânia”, acrescentou.
Desde o início da invasão russa em larga escala, em 24 de fevereiro de 2022, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos verificou pelo menos 16.874 civis mortos, incluindo 820 crianças, e 51.273 feridos, entre os quais 3.126 crianças.