Festa do Pontal é “teste às próprias lideranças” do partido, diz Cristóvão Norte
- 14/08/2026 02:20
- Redação
Aos 23 dias de idade, Cristóvão Norte marcava presença na primeira edição da Festa do Pontal, em 76. Hoje é líder da distrital do PSD Algarve e um dos rostos da organização da festa. Guarda na memória a corrida de sacos e um espírito que diz ser irrepetível.
“É impensável a ideia do Pontal, do piquenique, sob o sol abrasador, de manhã à noite”, recorda Cristóvão Norte.
“Nem as pessoas estão disponíveis para aquele formato, que é um formato que tinha tanto de convicção social-democrata e de serviço à sociedade quanto de sofrimento pela falta das condições e pelo sol inclemente que se abatia tantas vezes ali, não fossem aquelas sombras daquele pinhal e aquele dia que se passava ali extraordinário”.
Em 86, o evento muda-se do Pontal, junto ao aeroporto de Faro, para o calçadão de Quarteira e afirma-se com a liderança de Cavaco Silva, primeiro-ministro na década entre 1985 e 1995. Dessa época, Cristóvão guarda as palavras do então primeiro-ministro, o “homem do leme”.
“Ninguém se esquece, em 93, da célebre frase do Homem do Leme, em que, a poucos metros de onde estamos, Cavaco Silva afirmou que ‘mesmo aqueles que discordam de nós’, e estou a citar, ‘reconhecem que o país tem um rumo e há alguém que segura o leme’”, recorda Cristóvão Norte.
O também conselheiro nacional do PSD não hesita em eleger a frase do antigo primeiro-ministro e Presidente da República como a mais marcante das cinco décadas da festa algarvia social-democrata.
Mas os 50 anos não são 50 edições do Pontal. Com Durão Barroso, entre 99 e 2005, a “festa é interrompida”, lembra. Mas, antes, vivem-se alguns dos momentos mais inusitados, talvez, da história da política nacional.
Foi com “o célebre Pontal-Pontinha, em 95”. Os eventos do PSD e do PS realizados no mesmo dia “distavam uma rua, 300 metros, e, portanto, isso é um episódio daqueles que fica marcado na vida política portuguesa”, vinca Cristóvão Norte.
“Foi uma disputa e foi muito inteligente da parte do Partido Socialista, que queria mostrar que havia um novo ciclo político pela frente [na altura liderado por António Guterres]”, afirma Cristóvão Norte.
Mas, se essa disputa partidária ficou para a história do país, outras foram discretas e invulgares, como a protagonizada pelo ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.
“Foi no consulado de Marcelo Rebelo de Sousa, em que ele próprio assumiu cinco mil contos de despesa [para a organização da Festa do Pontal], que diz que foi a maior despesa pessoal que fez na vida política”, conta.
A ausência da líder Manuela Ferreira Leite, por duas vezes, também marca o Pontal, que, ainda assim, “soube resistir”. Hoje é uma “marca social-democrata”. Assinala a rentrée política do partido e não deixa de ser um teste às lideranças, ainda que o partido esteja na oposição.
“O Pontal sempre teve uma importância política para afirmar a liderança da oposição. Não apenas na crítica e na alternativa ao Governo, mas também para a demonstração pública e categórica de que o partido se mobiliza e se sente forte o suficiente para, na oposição, disputar as próximas eleições”.
“Assim, obviamente, o Pontal, nesses termos, também assume, de certa forma, um teste para as suas próprias lideranças”, remata Cristóvão Norte.