Mariano Lopez: "Se não tivéssemos subido de divisão, ia ser muito difícil continuar no Académico”
- 14/08/2026 05:35
- Redação
Mariano Lopez, um alemão com raízes asturianas, é quem lidera o projeto desportivo internacional da HOBRA GmbH & Co. KG, os donos do destino do clube viseense desde agosto de 2021, que também detêm o Hoffenheim, da Bundesliga, e o Barra, na terceira divisão brasileira.
Mas houve um lado negativo neste regresso à 1ª Divisão: a ausência de adeptos no estádio do Benfica por um castigo aos lisboetas. “Horrível, a palavra é horrível, para todos, para benfiquistas e academistas”, lamenta. "O futebol precisa de espectadores. Um estádio vazio lembra muito a altura da covid, mas aí foi transitório. Ver um Estádio da Luz, onde já tive a honra de estar quando estava cheio, é bem estranho para todos.”
Um dos heróis nesse empate na Luz foi Ewerton, um guarda-redes que parou oito remates dos futebolistas do Benfica. O brasileiro está emprestado pelo Barra, um clube a sofrer no terceiro escalão brasileiro. “O Ewerton já estava na lista há muito tempo. Fez um jogão na Luz.”
Se vai ou não ter uma carreira especial por cá e na Europa, Mariano Lopez diz que “depende do jogador, do seu rendimento” e de como se vai adaptar por cá. “É um desafio grande, mostrou que tem qualidade e que pode ter um percurso interessante.”
Ainda que o momento seja histórico e com um doce sabor, Mariano Lopez não nega que viu o fim do projeto no horizonte. “Se falar como presidente do Académico, obviamente falo do coração. Estou muito feliz pelo que estamos a conseguir…”
“... Se deixo falar a minha cabeça meio alemã, os números não estão cá. Vou ser sincero e franco: se não tivéssemos subido de divisão esta temporada, provavelmente este projeto, não digo que ia parar na hora, mas ia ser muito difícil continuar.”
A entrevista a Bola Branca também abordou o momento sensível que está a viver o futebol português, com as suspeitas e denúncias na arbitragem, assim como o acordo e venda dos direitos audiovisuais, um processo que um clube grande tenta agora interromper, algo que Lopez estranha, mas já lá vamos.
O dirigente deseja que as polémicas em torno do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol não tenham influência no campeonato. “Temos de falar com a federação e com a liga. Se queremos melhores árbitros, temos de pagar melhor. Se queremos melhores árbitros, temos de formar melhor e mais rápido. Acho que só se consegue isso quando as sociedades desportivas, a liga e a federação trabalharem juntas para o melhor.”
O incumprimento salarial e as dívidas de alguns clubes é outro tema que apoquenta o presidente da SAD do Académico de Viseu. “Não percebo porque tenho de assinar um papel que diz que os jogadores receberam dinheiro. Temos a Autoridade Tributária, pagamos salários e é muito fácil chegar lá e mostrar tudo, verificar contrato, se os jogadores recebem ou não.”
Ou seja, “são coisas básicas, tal como as sociedades desportivas que têm dívidas ao Governo, sejam tributárias, seja de IRS. São elementos que não podem estar no futebol português”, avisa.
Finalmente, uma reflexão sobre os direitos audiovisuais da Liga Portugal. Mariano Lopez estranha que seja o Benfica a tentar congelar o processo, nomeadamente com uma petição para o tema ser debatido no Parlamento.
“Não faz sentido. O trabalho que foi feito e, curiosamente, quando cheguei a Portugal estive com um elemento da direção da Liga”, conta Lopez. “Lembro-me bem que um dos elementos que foi falado e que foi sempre puxado para a frente foi o senhor Domingos de Oliveira, do Benfica. Foi o Benfica que liderou esse processo. Estranho isso nesta altura de finalizar o processo, que está bem feito. E parabéns ao presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, pela evolução, é complicado. Temos de dar um passo em frente. Pararmos aqui seria um passo para a história… para trás.”
Quanto a dinheiros e receita, a expectativa de Mariano Lopez coloca a fasquia entre os oito e 10 milhões. Pelo menos “deveria” ser assim para clubes como Académico, Rio Ave e Casa Pia, explica. “É realista? Não sei, não faço ideia, depende dos operadores. Compete-nos, a nós, investir nas infraestruturas.”