Ceuta reza esta noite pela paz, estabilidade e justiça após crise migratória
- 14/08/2026 06:49
- Redação
O administrador apostólico da Diocese de Cádis e Ceuta, D. Ramón Valdivia, convocou todas as paróquias da diocese para uma vigília de oração pela paz, estabilidade e justiça em Ceuta, na noite desta sexta-feira, véspera da solenidade da Assunção de Maria. A iniciativa segue uma proposta do Papa Leão XIV.
A convocatória surge mais de uma semana depois da crise humanitária e institucional vivida na cidade, na sequência da entrada de milhares de migrantes. Numa carta dirigida aos sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis da diocese, D. Ramón Valdivia afirma ter precisado de tempo para “repousar e compreender” o alcance dos acontecimentos e as suas consequências para além do que foi divulgado pelos meios de comunicação.
O administrador apostólico descreve uma realidade marcada pelo medo, pela incerteza e pela sensação de desproteção entre a população de Ceuta. Ao mesmo tempo, reconhece a serenidade demonstrada pelos habitantes da cidade, que, na sua avaliação, evitou que a tensão pudesse evoluir para um conflito de maiores proporções.
Na mensagem, D. Ramón Valdivia fala num “desastre humanitário” que atribui à “ambição e à corrupção”, referindo-se à situação de jovens sem futuro, crianças vulneráveis e adultos que terão aproveitado o contexto de desgoverno. Do outro lado da fronteira, descreve famílias assustadas, comerciantes afetados e uma população marcada pela incerteza.
Perante este cenário, o administrador apostólico destaca o papel da Santa Maria de África, padroeira de Ceuta, como lugar de refúgio e esperança.
D. Ramón Valdivia recorre à imagem bíblica da “brisa suave” de Elias para afirmar que Deus não está “nem no furacão, nem no terremoto”, mas “na doçura de uma mãe”. Para o prelado, Santa Maria de África voltou a ser “o farol” que guia Ceuta em momentos de dificuldade.
O responsável da diocese agradece também a resposta da comunidade cristã, nomeadamente aos sacerdotes, paróquias, religiosos e religiosas, voluntários da Casa San Antonio, Cáritas e à Irmandade da Padroeira.
Considera que estes grupos deram um “exemplo de unidade em meio de tanta crispação” e pede ao resto da diocese que manifeste a sua gratidão e apoio à comunidade cristã de Ceuta.
A vigília desta sexta-feira deverá realizar-se em todas as paróquias da diocese, com o objetivo de unir os católicos em oração pela paz, estabilidade e justiça em Ceuta. A iniciativa terá também lugar no Santuário de Santa Maria de África.
O prelado pretende que a oração não seja apenas um pedido de proteção para a cidade, mas também uma oportunidade para os fiéis refletirem sobre a necessidade de “amadurecer a fé recebida” e procurar, em conjunto, caminhos para enfrentar as profundas mudanças sociais e culturais em curso.
Para o administrador apostólico, os acontecimentos vividos em Ceuta revelam “a profundidade da mudança de cultura que se está a gerar” e defende que este momento deve ser encarado como uma oportunidade para um “novo início cultural”, e não apenas como uma crise passageira.
A mensagem termina com um apelo à oração do Pai-Nosso, pedindo: “Faça-se a vossa vontade, assim na terra como no céu.”