"Rostos concretos, histórias únicas." Papa preocupado com o destino dos menores migrantes

"Rostos concretos, histórias únicas." Papa preocupado com o destino dos menores migrantes

  • 14/08/2026 08:22
  • Redação

"Mesmo um só destes pequeninos" é o tema da Mensagem do Papa para 112º Dia mundial dos Migrantes e refugiados, divulgada esta sexta-feira.

O texto chama a atenção para os menores diretamente envolvidos na dura experiência da migração e da fuga e pede solicitude a partir da promessa de Cristo: "Quem receber um destes pequeninos em meu nome é a mim que recebe" (Mc 9, 37).

Leão XIV recorda que, no seio dos fluxos migratórios mundiais, os menores são os mais vulneráveis e que, todos os anos, milhões de crianças e adolescentes são obrigados a abandonar a sua terra devido a guerras, pobreza, violência, catástrofes ambientais e outras tragédias.

“São rostos concretos, histórias únicas, que apelam à nossa consciência”, frisa o Santo Padre. “As responsabilidades económicas, políticas e militares por este desastre são imensas.”

A mensagem sublinha que o sofrimento não se esgota na simples deslocação porque há jovens que perderam pais, irmãos, irmãs e amigos e são testemunhas de violências indescritíveis. Outros, separados durante longos períodos dos seus familiares, tentam reunir-se com eles, vivendo, entretanto, a angústia do afastamento.

Há ainda menores que enfrentam a viagem juntamente com os pais, expostos a condições extremas e traumáticas, sem esquecer a situação trágica daqueles que são separados dos pais devido ao repatriamento.

“A este cenário, em si já dramático, somam-se outras tragédias: as mortes ao longo das rotas migratórias, o tráfico e a exploração, o recrutamento de menores para o emprego em conflitos armados, a violência sexual, os casamentos forçados e as atrocidades sofridas ou testemunhadas durante a viagem. A sua dignidade é espezinhada de demasiadas formas”, lamenta o pontífice.

Leão XIV reconhece que, infelizmente, os menores migrantes são mais facilmente reduzidos à invisibilidade por não terem adultos que os protejam e apoiem. Por isso, “é necessário intervir nos países de origem para eliminar as eventuais causas que os obrigam a fugir, além de oferecer proteção e acolhimento nos países de trânsito e de chegada”.

O problema não se pode reduzir a números ou estatísticas, tal como o Evangelho convida a não fazer cálculos.

“Cada criança, cada ser humano possui uma dignidade infinita. É imagem e semelhança de Deus, é presença do Senhor. Perante cada menor migrante, somos chamados a realizar um ato de humanidade e de fé: na criança, com efeito, podemos acolher e encontrar o Senhor”, escreve o Papa. “É um convite a reconhecer a criança na sua dignidade, antes mesmo da sua condição de ‘migrante’, e a proteger os seus direitos fundamentais à vida, à educação, a um nível de existência que lhe permita crescer e desenvolver-se plenamente do ponto de vista físico, mental, espiritual, moral e social.”

A mensagem acrescenta ainda que, na vida eclesial, o acolhimento destes pequeninos não é um conceito abstrato, mas obriga a uma prática pastoral constante. ”Não podemos limitar-nos a delegar esta tarefa a instituições ou associações dotadas de um carisma específico: perante os rostos concretos que nos interpelam no quotidiano, toda a comunidade cristã é chamada a considerá-los seus filhos e a aproximar-se da história concreta de cada um”, insiste o Papa, recordando a importância da integração “como membros de pleno direito na família eclesial, promovendo novos percursos educativos e espirituais, inclusive personalizados, que ultrapassem a lógica do mero assistencialismo”.

Leão XIV esclarece, na sequência do que afirmou durante a visita a Espanha e também em Lampedusa, que “a vulnerabilidade dos menores não conhece fronteiras confessionais e une-nos numa responsabilidade humanitária e espiritual partilhada. Esta responsabilidade torna se um terreno fértil para um diálogo inter-religioso concreto, onde os fiéis, inspirando se no próprio sentido de transcendência, cooperem na construção de redes de proteção e espaços onde cada menina e cada menino sejam respeitados e valorizados nas respetivas identidades culturais, prevenindo o risco de radicalização por parte de grupos extremistas”.

No contexto das instituições civis, “mesmo um só destes pequeninos, chama-nos a reafirmar o princípio do interesse superior do menor”.

Por isso, “as instituições públicas e privadas são obrigadas a dar centralidade à proteção e à dignidade de cada criança e adolescente e a adotar instrumentos jurídicos eficazes de proteção, promovendo o reagrupamento familiar e evitando os traumas da separação”, conclui o pontífice.

  • Fonte: Rádio Renascença
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