Matos Fernandes defende que Península Ibérica “não precisa do nuclear para nada”
- 14/08/2026 13:22
- Redação
“Os países são completamente senhores da sua política energética. Foi uma ótima notícia sabermos que Almaraz vai fechar. Tenho pena que agora se adie esse encerramento, mas essa será sempre uma decisão soberana de Espanha”, afirma.
Questionado sobre se Espanha deveria ter avisado Portugal, o antigo governante diz desconhecer se essa comunicação ocorreu e recorda o papel do Governo de que fez parte na discussão sobre a política nuclear espanhola.
“Portugal, pelo papel que teve no Governo em que eu estive, foi de facto relevante para que Espanha pensasse a sua política, se comprometesse com o encerramento das suas centrais nucleares, começando exatamente por aquela que era mais próxima de Portugal e que poderia trazer o maior risco para os portugueses, que é Almaraz, por causa da proximidade ao rio Tejo”, diz o antigo ministro do Ambiente.
Matos Fernandes recorda ainda as posições assumidas na altura pelos partidos que estavam na oposição.
“Lembro-me bem, não digo do Governo, mas aquilo que os partidos do Governo diziam, sempre deram a entender que um ministro ou uma ministra competente, se a Espanha, numa tarde, encerrava as centrais nucleares todas. Pronto, é bom que tenham humildade de reconhecer que assim não é”, afirma Matos Fernandes.
O antigo ministro do Ambiente diz também não ter dúvidas de que Espanha decidiu prolongar a vida de Almaraz garantindo “absolutas condições de segurança”, mas sublinha que “a Península Ibérica não precisa do nuclear para nada”.
“Eu não tenho grandes dúvidas de que, para que Almaraz possa funcionar, o faz em absolutas condições de segurança. Também não tenho dúvidas nenhumas de que a Península Ibérica não precisa do nuclear para nada. E, portanto, é bom que depressa esse mesmo nuclear feche, porque seremos das poucas regiões do mundo que, de forma simples, podemos gerar toda a eletricidade de que precisamos a partir do vento, da água e do sol”, afirma Matos Fernandes.