D. Nuno Brás relata “muita destruição” na Venezuela e pede continuidade da ajuda

D. Nuno Brás relata “muita destruição” na Venezuela e pede continuidade da ajuda

  • 15/08/2026 03:49
  • Redação

D. Nuno Brás, bispo do Funchal, encontrou um cenário de destruição extensa durante a visita à Venezuela, com edifícios derrubados, trabalhos de remoção de escombros ainda em curso e famílias à espera de notícias de familiares. Entre os afetados estão portugueses que perderam a casa, o trabalho e familiares.

“Em La Guaira, sobretudo, destruição. E não é tão depressa que estará limpo”, contou D. Nuno Brás, acrescentando que “a extensão do terramoto foi tal, ou dos terramotos, foi tal que foi toda a cidade”.

Numa das áreas visitadas, junto à igreja de São Óscar Romero e São José Hernández, D. Nuno Brás encontrou um bairro fortemente atingido. Segundo o bispo, as construções não apresentavam boas condições e os destroços formavam agora um amontoado de diferentes materiais.

“É um grande amálgama de cimento, de ferros. Alguns sítios já estão, de facto, a limpar”, descreveu.

A remoção dos escombros decorre enquanto algumas famílias continuam junto dos edifícios destruídos. O bispo explicou que as máquinas interrompem os trabalhos sempre que surgem indícios da presença de vítimas, permitindo a retirada e identificação dos corpos.

“Algumas pessoas ainda permanecem junto aos edifícios caídos, à espera que os familiares apareçam.”

O bispo do Funchal encontrou membros da comunidade portuguesa logo no primeiro dia da visita, numa zona alta de Caracas onde também morreram portugueses debaixo dos escombros. O contacto prosseguiu depois numa eucaristia em Catia La Mar, onde estiveram várias pessoas afetadas.

A apreensão sobre o futuro é, segundo D. Nuno Brás, um dos sentimentos dominantes entre os portugueses. Apesar das perdas, o bispo encontrou também vontade de permanecer na Venezuela, país onde muitos construíram a vida e onde pretendem agora recomeçar.

“Muitos deles perderam tudo, perderam casa, perderam trabalho, perderam família e, portanto, o que é que irão fazer? De qualquer forma, o sentimento geral, creio que é o da reconstrução”, disse D. Nuno Brás.

Entre os casos que encontrou está o de uma portuguesa idosa que perdeu tudo e foi acolhida no Lar Padre Joaquim Ferreira, uma instituição de beneficência mantida pela comunidade portuguesa. Para o bispo, além da recuperação material, será necessário responder às consequências pessoais das perdas sofridas.

“A grande palavra de ordem é reconstruir. Creio que é importante reconstruir, obviamente, a cidade. Isso demorará muito tempo, mas é preciso, sobretudo, reconstruir os corações e isso ainda vai demorar mais tempo”, disse.

As necessidades de ajuda permanecem, apesar do apoio já distribuído. D. Nuno Brás defende que a resposta terá agora de acompanhar a passagem da assistência imediata para a reconstrução, num processo que antecipa como complexo devido às características dos terrenos e aos problemas de arquitetura e engenharia.

“Não podemos deixar a Venezuela, e isso de um modo muito particular a nossa comunidade na Venezuela, assim sem mais abandonada ao seu destino”, defendeu D. Nuno Brás, acrescentando que “devemos continuar a ajudá-los da nossa forma, da forma que possamos fazer”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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