GNR afirma que não havia militares a impedir entrada do condutor no percurso da Volta
- 15/08/2026 09:20
- Redação
O mesmo responsável diz que não pode garantir, neste momento, se havia outro tipo de sinalização que impedisse a entrada de condutores naquela zona do percurso da competição. "Esse é um dos detalhes que ainda não conseguimos avançar", divulgou o militar.
“Sabemos que não estava nenhum militar porque não era um dos locais que tinha sido priorizado na avaliação que tinha sido feita. O que estamos a procurar saber é que tipo de sinalização estava naquele local e se alguma sinalização foi removida ou não”, disse o Tenente Coronel Carlos Canatário, em declarações à RTP 1.
"Aquilo que fazemos é procurar selecionar e priorizar quais são os acessos em que é mais provável encontrarmos pessoas e viaturas . Não era o caso deste acesso. Era um acesso secundário", concretizou na mesma entrevista.
O porta-voz da GNR afirmou que o condutor disse aos militares durante o interrogatório que “esteve parado nesse acesso, viu passar o pelotão, e como esperou ali há algum tempo e não vinha mais ninguém, perguntou se podia avançar [aos populares que estava no local]”.
Canatário reforça que estes factos devem levar o advérbio de modo “alegadamente” porque “é também preciso percebermos isto, que muitas das vezes há coisas que demoram algum tempo”.
No entanto, há algo que diz que pode garantir: "Aquilo que estava planeado fazer foi feito, não houve desvios na operacionalização do planeamento".
O mesmo responsável sublinhou que montar uma operação de segurança numa competição como a Volta a Portugal é “muito complexo”.
“A volta a Portugal em bicicleta tem inúmeras etapas, com muitos quilómetros, e é necessário perceber que são centenas os acessos que existem para o troço de cada uma das etapas. Tem ainda a particularidade, porque é esta a característica da volta, de procurar ser um espetáculo desportivo de proximidade”, começou por descrever.
Canatário diss ainda que “a prova é sempre feita em via pública e procura sempre estar junto das pessoas, passar pelas aldeias, pelas vilas, pelas cidades”. “São inúmeros os acessos”, acrescenta.
“Infelizmente não temos a capacidade para colocar um militar da guarda em todos esses quilómetros. Ou seja, isso é humanamente impossível”, diz.
No caso de acessos secundários, como este foi considerado, é "colocada sinalética em algumas baias, em outras, fita de sinalização".
Carlos Canatário descreveu ainda a sucessão de eventos que levou à morte de Fiblay Targer, de 19 anos,.
"No momento do acidente o pelotão estava partido em três, havia fugitivos, havia o pultão e havia três ciclistas que tinham ficado para trás. O dispositivo móvel estava a adaptar-se, porque é necessário também perceber esta dificuldade, que ao longo de toda a prova o dispositivo móvel tem que estar sistematicamente a adaptar-se, porque a configuração do pelotão vai mudando. Portanto, as motas têm que abrandar, têm que encostar, têm que perceber se há ciclistas a descolarem", descreve.
Antes da colisão frontal, Fiblay Targer soltou-se da viatura de apoio "e a mota da GNR não conseguiu acompanhá-lo". "[Por que não conseguiu?] Estava nesse momento a fazer o desdobramento", explicou o porta-voz da GNR.
O Tenente-Coronel Carlos Canatário diz também que no dia de ontem houve confusão na utilização dos conceitos usados para descrever a colisão. "A viatura não vinha em contramão", assinala. "Vinha na via da direita, na sua mão. Estava, isso sim, no sentido contrário ao sentido da prova", esclarece.
Já o ciclista "cortou, como é natural, como os ciclistas fazem, cortou a curva pela via mais à esquerda". "E foi isso que fez com que o ciclista e a viatura colidissem", descreve.
Já questionado sobre se o condutor pode vir a ser responsabilizado de alguma forma pela morte do ciclista de 19 anos, o tenente-coronel Carlos Canatário respondeu que não pode avançar a 100% com ainformação.
Mas, alegadamente, "não". Ainda há o inquérito que irá decorrer e "há de recolher mais prova, que demora algum tempo". "Só dar nota também é natural as declarações iniciais do condutor serem um bocadinho dúbias porque o senhor estava em estado de choque, como é natural", qualifica.
O responsável da GNR diz ainda que "foram feitos todos os testes, que o condutor não apresentava indícios de álcool ou de substâncias psicotrópicas no sangue".