Ceuta. Uma cidade no “limite” entre os abusos sexuais, epidemias e insegurança

Ceuta. Uma cidade no “limite” entre os abusos sexuais, epidemias e insegurança

  • 16/08/2026 07:31
  • Redação

Uma reportagem do jornal espanhol El País descreve que dezenas de meninas e jovens migrantes estão a ser levadas para um armazém industrial recém-remodelado para as acolher, após terem sido vítimas de ameaças de violência sexual. Mas há casos consumados, com pelo menos seis queixas de violações, todas de meninas da África subsariana.

Numa encosta nas redondezas, na manhã de sábado, três agentes da autoridade correm com o cassetete na mão atrás de três adolescentes, ao mesmo tempo que, em árabe, exigem que se afastem das casas.

Pouco depois, a praia de El Trampolín, um acampamento habitado principalmente por migrantes da África subsariana, transformou-se num povoado onde as tarefas já estão auto-organizadas e onde se mata a entediante espera com torneios de luta livre.

Do outro lado, os moradores de Ceuta vivem sobre grande tensão. As notícias sobre o aumento da criminalidade repetem-se e os habitantes locais estão cada vez mais preocupados. Como som de fundo ecoam, quase em permanência, as sirenes das patrulhas policiais.

A reportagem do El País relata ainda que os moradores abordados na rua, quando questionados sobre a situação na cidade, pegam no telemóvel e mostram vídeos e fotos que circulam no WhatsApp, de lutas ou invasões de domicílios.

Grande parte dos habitantes de Ceuta denuncia o “abandono” por parte do Governo central e há quem afirme mesmo ter deixado os filhos com familiares na península. Há também quem mal consiga dormir.

Segundo as estimativas do Governo central, cerca de 8 mil pessoas permanecem na cidade autónoma, embora o Governo regional, liderado por Juan Jesús Vivas, do Partido Popular, considere que o número seja superior.

“A situação é grave, os moradores estão muito preocupados; as praias estariam a transbordar e não há praticamente ninguém”, salienta o conselheiro da Presidência, Alberto Gaitán. “Os bairros estão mais sobrecarregados, mas há pessoas por toda a cidade, sem dúvida”, remata.

  • Fonte: Rádio Renascença
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