Carneiro: “Alguém tem de dizer ao Primeiro-Ministro que o Rei está mesmo nu”

Carneiro: “Alguém tem de dizer ao Primeiro-Ministro que o Rei está mesmo nu”

  • 16/08/2026 17:48
  • Redação

O PS vai pedir a apreciação parlamentar da nova lei orgânica da emergência médica. A decisão foi anunciada, este domingo, em Olhão, pelo secretário-geral do partido, José Luís Carneiro, perante o que disse ser a gravidade de uma decisão que coloca em causa a segurança da população.

“O Governo aprovou um decreto-lei que prevê a redução de recursos para o serviço do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), o que põe em xeque a previsibilidade e a segurança do atendimento à população”, disse José Luís Carneiro, justificando que, por isso, “procuraremos fazer a apreciação parlamentar deste diploma na Assembleia da República, pois trata-se de uma grave questão para a segurança do atendimento à população”.

Durante o discurso que marcou a rentrée socialista, e que atravessou temas desde a economia à saúde, Carneiro anunciou ainda a proposta para a criação de um Serviço Nacional de Habitação para “mobilizar todo o país para esta resposta fundamental”, envolvendo o “Estado, autoridades, cooperativas, arquitetos, engenheiros e empresas de construção civil”.

Com o Orçamento do Estado no horizonte, o líder socialista quis deixar um aviso ao Governo. Em jeito de recado, José Luís Carneiro lembrou que é dever do Executivo “apresentar uma proposta orçamental competente que responda aos problemas e à vida das pessoas”. “Esta é uma responsabilidade do Governo, e não do Partido Socialista”, vincou.

“Sejamos claros, a primeira responsabilidade pela construção da estabilidade política em nosso país é do Governo, que deve apresentar um orçamento competente e que atenda aos interesses da nossa nação”, insistiu José Luís Carneiro.

Ainda no rescaldo do discurso de Luís Montenegro na Festa do Pontal de sexta-feira, José Luís Carneiro não deixou de fora as críticas à narrativa do Executivo, que acusou de insensibilidade e incompetência.

“Sobre o alegado trabalho de que o Dr. Luís Montenegro diz já se orgulhar, alguém tem de dizer ao Primeiro-Ministro que o Rei está mesmo nu”, afirmou José Luís Carneiro.

“Desde logo, porque o Governo e o Primeiro-Ministro ainda não demonstraram capacidade de reação, de resposta com competência, sensibilidade e discernimento às crises que têm assolado o país”, apontou José Luís Carneiro, dando como exemplo a crise dos exames nacionais e lembrando que ainda falta um pedido de desculpas do Governo.

“É incompreensível que o Primeiro-Ministro, num discurso de 47 minutos, não tenha tido 5 minutos para pedir desculpas aos portugueses. Não tenha tido a humildade democrática de dizer que as coisas não correram como o Governo esperava, que houve erros inesperados, mas que permitem corrigi-los e que impedirão que se repitam no próximo ano eleitoral”, apontou o líder socialista, referindo-se ao discurso do líder social-democrata no Pontal.

O PS marcou este domingo a rentrée política no Algarve, dois dias depois de o PSD fazer o mesmo na tradicional Festa do Pontal. O cenário e o timing não foram por acaso. O PS está apostado no regresso a 1995, ano em que o partido, pela mão de António Guterres, veio à região procurar a maioria que ditou o fim de uma era de Cavaco Silva como primeiro-ministro.

“Foi aqui que, em 1995, começou a nova maioria e é aqui que começará a demonstração da força de uma alternativa para o país. Trata-se de construir uma alternativa, afirmá-la, torná-la conhecida (...) porque todos serão chamados a participar na construção de uma alternativa a um Governo que não responde aos problemas do povo”, sublinhava José Luís Carneiro à chegada ao arraial socialista em Olhão.

  • Fonte: Rádio Renascença
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