Rússia cancela festival de música militar em Moscovo após novos ataques
- 17/08/2026 08:27
- Redação
A Rússia cancelou esta segunda-feira um festival internacional de orquestras militares que devia começar em Moscovo na sexta-feira, 21 de agosto, depois de ter sofrido o maior ataque ucraniano com drones contra a capital russa.
“Somos obrigados a informar que, por motivos alheios à vontade dos organizadores, a realização do 18.º Festival Internacional de Música Militar ‘Spasskaya Bashnia’ é adiada de 2026 para 2027”, anunciou a organização, citada pela agência de notícias espanhola EFE.
O anúncio ocorre após ataques ucranianos terem causado seis mortos, um na região de Moscovo e cinco perto da fronteira com a Ucrânia.
Moscovo foi alvo do maior ataque ucraniano na madrugada de domingo, durante a qual foram lançados mais de 600 drones, 201 dos quais foram abatidos nas proximidades da cidade.
Desde a tarde de sábado, as defesas antiaéreas russas derrubaram 822 drones ucranianos lançados contra 16 regiões e a anexada península da Crimeia, no maior ataque deste tipo desde o início da guerra.
O 18.º Festival Internacional de Música Militar ‘Spasskaya Bashnia’ ia decorrer entre 21 e 30 de agosto.
O festival reúne orquestras militares russas e de outros países e realiza-se desde 2007 na Praça Vermelha.
No início, decorria na colina Poklonnaya, posteriormente remodelada como Parque da Vitória, um dos principais complexos monumentais de Moscovo.
Em junho, as autoridades cancelaram também o concerto alusivo ao Dia da Rússia na Praça Vermelha.
A guerra em curso começou em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia para “desmilitarizar e desnazificar” o país vizinho, entre outros objetivos, como justificou na altura o Presidente russo, Vladimir Putin.
Os ataques têm vindo a intensificar-se nos últimos meses em ambos os lados da frente, fazendo um número crescente de vítimas civis, embora o balanço seja desconhecido, incluindo entre os militares.
Trata-se do conflito armado mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que ocorreu entre 1939 e 1945.
A guerra causou também a destruição de muitas infraestruturas na Ucrânia, que tem contado com o apoio de aliados ocidentais no financiamento da economia e de armamento.
Putin exige o reconhecimento da soberania russa em partes da Ucrânia e garantias de que o país vizinho nunca será membro da NATO, a aliança de defesa ocidental.
O homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, recusa tais exigências e reclama a retirada das tropas russas do território ucraniano, bem como a reposição das fronteiras de 1991, quando o país se tornou independente da então União Soviética.
Esta condição implica a devolução da península da Crimeia, que a Rússia invadiu e anexou já em 2014.
As negociações entre as duas partes estão num impasse e perderam ímpeto desde o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, em 28 de fevereiro, que envolve vários países do Médio Oriente.