Trump insiste que Irão não pode ter de “forma alguma uma arma nuclear”

Trump insiste que Irão não pode ter de “forma alguma uma arma nuclear”

  • 17/08/2026 08:54
  • Redação

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou esta segunda-feira que o Irão não poderá ter uma arma nuclear, numa altura em que termina o período previsto para as negociações entre Washington e Teerão.

“O objetivo número um é, e sempre será, que o Irão não possa ter, de forma alguma, uma arma nuclear”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

As negociações, previstas no memorando de entendimento assinado a 18 de junho, tinham como principais temas o programa nuclear iraniano e o levantamento das sanções impostas a Teerão.

Ao fim de 60 dias, porém, não há indicação de um entendimento entre as duas partes. Pelo contrário, a troca de acusações entre os Estados Unidos e o Irão voltou a subir de tom, depois de episódios de violação do cessar-fogo.

O Estreito de Ormuz permanece bloqueado, mantendo-se uma das principais fontes de preocupação para Washington e para os mercados internacionais, devido à importância daquela passagem para o transporte marítimo e para o abastecimento energético mundial.

O Irão anunciou, entretanto, que está a trabalhar numa declaração conjunta com Omã sobre um plano para gerir o trânsito de navios pelo estreito. Ainda não é claro, contudo, se uma eventual solução permitirá responder às exigências dos Estados Unidos para a reabertura total da via navegável ao transporte comercial.

O professor da Universidade Católica considera que, sem uma mudança de estratégia de Washington e Teerão, dificilmente haverá paz no curto prazo.

“Enquanto existir um bloco iraniano irredutível na sua posição de se tornar uma potência nuclear, enquanto tivermos os Estados Unidos da América que querem controlar e estabilizar aquela região, não haverá paz”, afirma.

Manuel Poejo Torres alerta ainda para as consequências que o impasse poderá ter para a economia mundial, com reflexos diretos na vida dos cidadãos.

“Para nós, consumidores, naturalmente, é aquilo que mais importa, que é termos a certeza que podemos continuar a fazer a nossa vida descansada e com a qualidade de vida que conhecemos na Europa. Mas, infelizmente, eu penso que esses dias estão a acabar”, afirma.

O comentador considera que a ausência de entendimento continuará a pressionar a economia mundial, numa altura em que o bloqueio do Estreito de Ormuz ameaça manter a instabilidade nos mercados energéticos.

Para Manuel Poejo Torres, um acordo dentro do prazo só será possível através de uma extensão das negociações, permitindo às duas partes continuar a procurar uma solução para o programa nuclear iraniano, as sanções e a circulação marítima no Estreito de Ormuz.

  • Fonte: Rádio Renascença
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