Israel bombardeia base aérea na Síria e EUA alertam para escalada desnecessária
- 18/08/2026 09:57
- Redação
Israel bombardeou esta terça-feira uma base aérea na Síria, naquele que aparenta ser o primeiro ataque contra instalações do Governo sírio desde março, segundo a Reuters.
Os ataques tiveram como alvo a base aérea de Abu al-Duhur, no noroeste da Síria. Segundo a agência britânica, que cita a televisão estatal síria Ekhbariya e uma fonte militar, Israel realizou oito ataques aéreos contra a pista e as instalações de armazenamento da base.
Não há, para já, registo de vítimas mortais ou feridos. Uma fonte militar síria e um residente nas proximidades da base confirmaram à Reuters que não foram registadas vítimas.
As Forças Armadas israelitas não comentaram os ataques e o Ministério da Defesa sírio também não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
O ataque provocou uma reação imediata dos Estados Unidos. Tom Barrack, enviado especial do Presidente norte-americano para a Síria e o Iraque, afirmou que Washington está “profundamente preocupado” com os ataques israelitas.
“Constituem uma escalada desnecessária que não contribui para a estabilidade regional”, escreveu o diplomata na rede social X.
Barrack defendeu que a contenção e o diálogo são uma via mais construtiva e apelou a todas as partes para privilegiarem o entendimento em vez de novos incidentes militares.
A base de Abu al-Duhur está localizada a cerca de 70 quilómetros da fronteira com a Turquia. O aeródromo deixou de funcionar como base aérea militar dedicada em 2013 e mudou de mãos várias vezes durante os 14 anos de guerra civil síria.
Israel tem realizado ataques contra alvos militares sírios desde a queda do antigo Presidente Bashar al-Assad, em 2024.
As autoridades israelitas mantêm uma postura de forte desconfiança em relação às novas autoridades de Damasco, devido às origens islamistas da liderança síria, apesar da aproximação do novo Presidente, Ahmed al-Sharaa, aos países ocidentais.
Depois da queda de Assad, Israel ocupou posições no sudoeste da Síria e destruiu uma parte significativa do armamento pesado e do equipamento militar sírio.
Israel afirma também ter realizado ataques com o objetivo de proteger a minoria drusa na Síria, nomeadamente durante confrontos entre combatentes drusos e forças governamentais.
Durante o regime de Assad, Israel atacava regularmente território sírio com o objetivo de reduzir a influência do Irão no país.
Os novos ataques acontecem num momento de crescente tensão entre Israel e a Turquia devido à situação na Síria.
Ancara acusa Israel de tentar desestabilizar o país e enfraquecer a nova administração síria. No início de agosto, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, acusou Israel de continuar a ameaçar a segurança da Síria através de ataques repetidos e pediu pressão internacional para que respeite a integridade territorial síria.
A Turquia tornou-se um dos principais aliados do Presidente sírio Ahmed al-Sharaa, contribuindo para a formação do novo Exército sírio e para a reconstrução das instituições e infraestruturas do país.
O porta-voz do partido do Presidente turco Recep Tayyip Erdogan, Omer Celik, condenou os ataques israelitas e afirmou que estes demonstram que “as políticas israelitas são o maior inimigo da paz e da tranquilidade” na região.
A situação ganha particular importância depois de a Síria ter realizado, no início de agosto, exercícios aéreos no norte do país com caças MiG-21 de fabrico russo, os primeiros exercícios deste tipo desde a queda de Assad.
A televisão pública israelita Kan noticiou, a 11 de agosto, que os serviços de segurança israelitas detetaram sinais de que a Síria estaria a acelerar a reconstrução da sua força aérea, incluindo o recrutamento de novos pilotos, formação de aviadores e um primeiro exercício com aeronaves de combate.
Segundo a mesma fonte, Israel terá partilhado estas preocupações com os Estados Unidos.
A possibilidade de uma reconstrução das capacidades militares sírias surge, assim, como um dos fatores que poderá contribuir para o aumento das tensões entre Israel, Síria e Turquia, num momento em que Washington procura evitar uma nova escalada militar na região.