Tribunal alemão condena ucraniano por conspiração para atos de sabotagem ligados à Rússia

Tribunal alemão condena ucraniano por conspiração para atos de sabotagem ligados à Rússia

  • 18/08/2026 11:01
  • Redação

Um cidadão ucraniano foi condenado na Alemanha por participação num plano ligado à inteligência russa para preparar possíveis atos de sabotagem na Europa, noticia a agência britânica Reuters.

O Tribunal Regional Superior de Estugarda, no sudoeste da Alemanha, considerou que o homem, de 30 anos, participou conscientemente na procura de potenciais alvos para uma entidade estatal russa não identificada.

Segundo a Reuters, três cidadãos ucranianos estiveram envolvidos no envio de duas encomendas da Alemanha para a Ucrânia, através de um serviço de entregas ucraniano. As encomendas continham rastreadores GPS e peças sobressalentes para automóveis.

De acordo com o tribunal, os envios destinavam-se a testar métodos de transporte e a identificar possíveis oportunidades para futuros atos de sabotagem.

O homem condenado terá organizado o envio dos rastreadores GPS a pedido de um conhecido de Mariupol, cidade ucraniana atualmente ocupada pela Rússia. Os dispositivos permitiam transmitir dados sobre a localização das encomendas durante o percurso entre a Alemanha e a Ucrânia.

O tribunal aplicou ao arguido uma pena de um ano e três meses de prisão, mas o homem não terá de cumprir mais tempo, uma vez que o período passado em prisão preventiva já é considerado suficiente para o cumprimento da pena.

Os outros dois arguidos foram absolvidos por falta de provas de que tivessem conhecimento de um plano destinado à realização de ataques de sabotagem.

O porta-voz do tribunal, Lars Kemner, explicou que foi tido em conta o facto de as ações do condenado terem ocorrido muito antes da eventual concretização dos atos de sabotagem.

O processo surge num contexto de crescente preocupação entre os países europeus com alegadas operações de sabotagem atribuídas à Rússia.

Vários governos europeus acusam Moscovo de desenvolver uma “guerra híbrida” contra países que apoiaram a Ucrânia depois da invasão russa em larga escala, em 2022. A Rússia rejeita repetidamente estas acusações.

Num caso anterior, autoridades europeias suspeitaram de uma ligação russa a uma série de pacotes explosivos enviados da Lituânia em 2024 e posteriormente detonados na Alemanha, Polónia e Reino Unido.

Mais recentemente, no início deste mês, as autoridades alemãs encontraram um drone equipado com explosivos no aeroporto de Leipzig/Halle. O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, classificou o episódio como um ataque híbrido, mas não atribuiu responsabilidades.

Na terça-feira, durante a inauguração de um novo centro de drones na Saxónia-Anhalt, Dobrindt voltou a alertar para o fenómeno.

“O objetivo destes ataques híbridos é derrotar-nos política e socialmente”, afirmou o ministro, defendendo que estas operações procuram contribuir para a erosão da confiança dos cidadãos no Estado.

“O que estamos a testemunhar hoje é a guerra das sombras do século XXI”, acrescentou.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: