Viver a diferença social da Igreja
- 18/08/2026 14:32
- Redação
Ao longo da sua vida, Eugénio da Fonseca alertou e denunciou para a pobreza exposta e para aquela que vive disfarçada ou escondida. Perante desgraças e calamidades que nunca deixaram o seu coração indiferente, olhou para os próximos, estivessem eles ao virar da esquina ou ao virar do mundo.
Também agora, na hora da morte, Eugénio da Fonseca obriga a parar: para lhe agradecer o testemunho e para refletir. Porque o combate à pobreza que travou em vida não é tarefa acabada; estará mais disfarçada, mas longe de estar derrotada.
Em Portugal, haverá dois milhões de pessoas que não veem a luz ao fundo do túnel dessa pobreza deprimente. Há mais empregos, mas muitos deles com salários que morrem aos primeiros dias do mês e que nem chegam ao indispensável.
Ter um salário que fica abaixo do limiar da pobreza não é justo nem digno. Como não é justo nem digno não ter capacidade para arrendar, e muito menos comprar, habitação com o mínimo de condições. Para não falar da impossibilidade de escolher projetos educativos para os filhos ou de apoiar e acompanhar com dignidade, os mais velhos e mais doentes.
A Doutrina Social da Igreja que Eugénio da Fonseca assumiu e viveu não é de direita nem de esquerda. É uma verdadeira diferença social da Igreja e está para além dessa e de outras considerações em que a pretendam aprisionar. É uma proposta de amor desinteressada dos bens, mas comprometida com os homens. Porque é mais importante a dignidade imaterial de uma só pessoa, do que o valor material de todos os bens.