Segurança Social: "É preciso criar nos jovens a ideia de que é preciso um pé-de-meia"
- 18/08/2026 18:12
- Redação
As sugestões do grupo de trabalho para a reforma da Segurança Social são soluções possíveis que podem ajudar a estimular um sistema deficitário, que paga mais do que recebe, afirma o economista João Duque.
Entre as medidas sugeridas estão a adoção de planos de pensões profissionais de adesão automática, que permitem a renúncia; ou a criação de uma conta poupança individual para a reforma, destinada a crianças e jovens, com um incentivo público mensal de dez euros.
"É criar a ideia nos jovens de que alguém, que somos todos, estamos a criar o teu pé-de-meia e todos os meses estamos a meter isto e, quando receberes prendas no Natal e se for em dinheiro, pedes dinheiro e fazes transferências para aumentar o tamanho do porquinho. Esta é a filosofia de uma sociedade preocupada com o futuro e a fazer poupança, que ajuda a financiar o investimento daqueles que têm iniciativas ou do estado que precisa de financiar a sua atividade."
O economista João Duque considera que as propostas apresentadas pelo grupo de trabalho vêm no sentido de complementar o sistema da Segurança Social com os privados.
"É uma forma de criar, simultaneamente, ao nível do Estado, oferta para produtos. O porquinho público vai alimentar o quê e será aplicado onde e é gerido por quem? É a tal questão. Pode ser público, pode ser privado, mas também pode ser público. Abrir-se o espaço. Não quer dizer que se venha a transferir o dinheiro para o privado, mas dá-se a possibilidade de as pessoas poderem escolher, ou não. Ou dizer-se que fica só no público. De qualquer das formas é um incentivo a que as pessoas possam usar aquilo que pouparam num momento de maior fragilidade."
O grupo de trabalho criado para estudar a sustentabilidade da Segurança Social alerta que os excedentes que têm sido anunciados nos últimos anos são uma ilusão e sugere maior transparência no Fundo de Estabilização da Segurança Social.