Renfe procura entrar em Portugal com comboios marcados por vibrações, fissuras e avarias
- 19/08/2026 09:50
- Redação
A Renfe tem procurado aprovação das autoridades francesas para expandir até Paris a operação, atualmente restrita ao sul da França (Marselha e Lyon). Mas, em abril deste ano, a empresa espanhola suspendeu esse plano, apontando às dificuldades em homologar o comboio que agora quer utilizar em Portugal.
Os testes do comboio da série 106 da Renfe — o modelo Avril, construído pela também espanhola Talgo — começaram em 2022, mas a demora na aprovação fez a Renfe projetar a chegada a Paris apenas para 2029, ainda antes de desistir do projeto.
O comboio que a Renfe pretende utilizar para operar em Portugal não teve um bom início de operação. A circular desde maio de 2024, é conhecido por ter demasiado ruído e vibrações no interior do comboio, assim como avarias que imobilizaram comboios em plena viagem. Nas primeiras dez semanas nos carris, estes comboios registaram 479 incidentes, uma média de seis por dia.
Em agosto de 2025, o sindicato de trabalhadores ferroviários de Espanha pediu a paralização imediata destes comboios da série 106 da Renfe, devido a fissuras nos conjuntos de rodados.
No mês seguinte, a Renfe decidiu retirar estes comboios da ligação Madrid-Barcelona, onde operavam sob a marca 'low cost' Avlo.
Os comboios da série 106 da Renfe foram entregues pela Talgo com dois anos de atraso, colocando a empresa sob pressão. A série 107 está a ser afetada por um atraso semelhante — o modelo será semelhante ao da série 106, mas reutiliza carruagens dos comboios Talgo 7 como base.
Estes comboios têm capacidade de circular tanto em bitola ibérica como europeia, utilizando eixos telescópicos nos rodados. A velocidade máxima autorizada é de 330 km/h.
A Talgo será uma das concorrentes ao concurso para compra de comboios de alta velocidade para a CP. A outra, indica a imprensa especializada, é a Alstom — construtora dos comboios do serviço francês de alta velocidade, o TGV.