Novo ministro da Defesa ucraniano toma posse em plena crise política. Antecessor pede eleições
- 19/08/2026 10:50
- Redação
O Parlamento ucraniano aprovou esta quarta-feira a nomeação de Yevhenii Khmara como novo ministro da Defesa, numa altura de forte tensão política em Kiev.
A nomeação aconteceu poucas horas depois de o antecessor, Mykhailo Fedorov, ter defendido a realização de eleições durante a guerra, argumentando que o processo democrático não pode ficar “refém da Rússia”.
As eleições estão atualmente proibidas pela lei marcial em vigor desde a invasão russa, em fevereiro de 2022.
Segundo a Reuters, a realização de eleições enfrenta ainda vários obstáculos, incluindo a segurança, a participação de cerca de um milhão de militares, os milhões de ucranianos deslocados ou refugiados e a situação dos territórios ocupados pela Rússia.
O Presidente Volodymyr Zelensky já admitiu a realização de eleições caso os Estados Unidos e os aliados europeus possam garantir a segurança do processo. Uma sondagem recente indica, contudo, que 57% dos ucranianos consideram que as eleições só devem realizar-se depois do fim da guerra.
Khmara, antigo responsável das forças especiais ucranianas, assume o Ministério da Defesa num momento de intensificação dos ataques russos com mísseis e drones e de pressão na frente de batalha.
A sua nomeação surge depois da saída de Fedorov, em julho, uma decisão que provocou protestos pouco habituais em tempo de guerra.
A oposição e alguns deputados criticaram a forma como Zelensky conduziu o afastamento do anterior ministro, embora reconheçam a experiência de Khmara.
A crise política é ainda agravada por uma nova investigação de corrupção com as autoridades anticorrupção a anunciarem ter identificado um grupo que incluiria um vice-chefe do gabinete presidencial, num alegado esquema relacionado com um processo de corrupção no setor energético.
O caso está ligado a uma investigação sobre alegadas luvas de 100 milhões de dólares numa empresa estatal de energia atómica.
Apesar da contestação, Zelensky continua a ser apontado como favorito numa eventual eleição presidencial. Entre os potenciais adversários estão Valeriy Zaluzhnyi, antigo comandante-chefe das Forças Armadas, e Kyrylo Budanov, antigo responsável das informações militares. Fedorov também tem registado uma subida nas sondagens desde a sua saída do Governo.